“Sobe um pouquinho o logo” é o tipo de pedido que rende mais duas rodadas. O editor sobe, o cliente queria mais para a esquerda, e a versão seguinte volta com “não, não era bem isso”.
Uma seta no frame teria resolvido de primeira, porque o pedido era sobre uma posição na imagem.
Só que o desenho também tem limite, e muito feedback confuso vem de gente desenhando quando devia escrever. Este texto fala de quando desenhar e de como desenhar para o editor entender na primeira leitura, e da frase que vai junto.
As regras gerais de comentário (timecode em tudo, um problema por comentário, o problema antes da solução) estão no nosso guia de como dar feedback de vídeo.
Em resumo
- Desenhe quando o pedido é sobre um lugar no quadro: a posição de um grafismo, um recorte, algo que precisa sair ou qual pessoa.
- Escreva em vez de desenhar quando o assunto é ritmo, áudio, coisa em movimento, gosto ou grafia.
- Pare no frame certo, faça uma marcação por comentário e use círculo, retângulo ou seta.
- Escreva junto uma frase com a ação, porque o marcador do Premiere e do Resolve só guarda o texto.
Quando o desenho resolve
O desenho ajuda quando a resposta para “onde?” é um ponto do quadro. Em vídeo institucional e publicidade, quase sempre é um destes casos:
- Posição do logo, do GC ou de qualquer grafismo. Uma seta até o lugar certo diz mais que “um pouco mais para cima e para a esquerda”.
- Recorte e reenquadramento. Para a versão vertical, um retângulo em volta do que deve ficar mostra o recorte. “Centraliza nela” deixa de funcionar quando há duas pessoas e um produto no plano.
- Coisa que precisa sair: o boom entrando no topo do quadro, o logo do concorrente na camiseta de alguém, a placa de saída de emergência, o copo de café esquecido na mesa.
- Qual pessoa. No plano de grupo, “o rapaz da direita” pode ser qualquer um de três. Um círculo em volta de um rosto só pode ser um.
- Detalhe pequeno demais para descrever, como um reflexo no vidro ou alguém da equipe aparecendo no fundo do set.
Todos são um lugar parado dentro do quadro, e o desenho registra justamente um frame.
Quando o desenho atrapalha
Como o desenho mora num frame só, ele é a ferramenta errada para o que acontece ao longo do tempo.
O ritmo é o caso mais claro. “Esse trecho está arrastado” fala de vinte segundos de corte, e um círculo num frame qualquer desses vinte segundos não diz nada ao editor.
O áudio vai pelo mesmo caminho, porque não dá para circular um som. Escreva, ou grave um áudio se for mais rápido falar.
Com coisa em movimento é mais traiçoeiro. Se um carro atravessa o quadro e você circula o carro em 0:42, o círculo está certo naquele frame e errado um segundo depois. Quando o problema é o movimento inteiro, descreva com palavras e use o desenho só para mostrar onde ele começa.
Gosto também não cabe num desenho. Um círculo em volta do quadro inteiro com “mais energia” não aponta para nada.
E correção de texto pede texto: circular um nome escrito errado mostra onde está o erro, mas não como o nome se escreve. Digite a grafia certa no comentário, letra por letra, ainda mais quando é nome de gente.
Como desenhar para o editor entender
Primeiro pare no frame certo. O desenho pertence ao frame que está embaixo dele, então vale avançar frame a frame até o momento exato em que o boom entra no quadro. Desenho no frame errado aponta para uma coisa que ainda não apareceu.
Uma marcação por comentário. Se o logo está grande demais e tem um reflexo na janela no mesmo frame, deixe dois comentários, cada um com o seu desenho. O editor resolve um de cada vez, e ninguém precisa adivinhar qual rabisco é de qual frase.
Prefira círculo, retângulo ou seta ao rabisco:
- O círculo diz “isto”.
- O retângulo diz “esta área”, o que serve para recorte e para o espaço de um grafismo.
- A seta diz “daqui para lá”, e serve para tudo que precisa mudar de lugar.
Deixe a caneta livre para formas que nenhum desses resolve, como a borda de uma máscara comendo o cabelo de alguém. Desenhe em volta da coisa, para o editor continuar enxergando o que você apontou, e escolha uma cor que apareça: vermelho some num palco com luz vermelha.
Aí vem uma frase com a ação. O desenho diz onde, e a frase diz o quê:
Tirar a placa de saída (no círculo). Ela aparece até o corte.
Levar o logo para onde a seta aponta, mesmo tamanho.
Versão vertical: manter o que está no retângulo, com o rosto dela no terço de cima.
Sem a frase, um círculo pode querer dizer tira, corrige, clareia ou “adorei”, e o editor fica no chute.
E a frase pesa também depois da revisão. O marcador do Premiere e do Resolve guarda texto, então o editor que trabalha pelos marcadores nunca vê o desenho, só o que você escreveu. Um círculo com “aqui” vira um marcador escrito “aqui”.
O nosso texto sobre importar comentários como marcadores cobre essa parte.
Se o problema dura alguns segundos, como um boom que entra e sai, marque o começo e o fim do trecho e desenhe no primeiro frame. O comentário abre no começo do trecho, e é com esse frame que o desenho precisa bater.
Print no e-mail ou desenho na ferramenta de revisão
Muito cliente ainda pausa o vídeo, tira um print, rabisca no editor de fotos do celular e cola no e-mail. É melhor que uma frase vaga, mas muita coisa se perde no caminho.
O print não tem timecode, a não ser que alguém digite, e o editor fica passeando pela timeline atrás de um frame que bata no olho. A imagem chega comprimida e redimensionada, e pode ser da v2 quando o editor já está na v3. E fica perdida numa conversa de e-mail, longe dos outros comentários.
O desenho feito na ferramenta de revisão pertence a um comentário, numa versão e num frame. O editor clica no comentário, o player vai para aquele frame e o desenho aparece por cima da imagem.
Dúvida vira resposta no próprio comentário, e quando a correção entra, ele é marcado como resolvido junto com o resto da rodada.
O print continua útil para o que não está no vídeo, como uma página do manual da marca ou um frame da campanha do ano passado. Esses vão anexados ao comentário, como referência.
Como funciona o desenho no RecReview
No RecReview, o botão Desenhar fica na caixa de comentário. Ele abre caneta, seta, retângulo e círculo em cinco cores (vermelho, verde, azul, amarelo e branco), com Desfazer.
Não existe ferramenta de texto, então a grafia certa e a instrução vão no comentário. O vídeo pausa quando você começa a comentar, as setas do teclado andam um frame por vez e a caixa mostra o timecode em que o comentário vai cair.
O desenho é salvo junto com o comentário, no frame dele, e o arquivo de vídeo não é alterado. Na lista, o comentário com desenho mostra uma miniatura dos traços e “Clique para mostrar anotação”. O clique leva o player para aquele frame e põe o desenho por cima da imagem por alguns segundos.
Para um trecho, aperte I e O para marcar entrada e saída. O comentário começa no ponto de entrada, então é nesse frame que você desenha.
Dá para enviar só o desenho, sem texto, mas aí o comentário sai com um rótulo genérico no lugar da instrução.
O cliente e o visitante do link de revisão têm as mesmas ferramentas da equipe, sem criar conta, e desenham com o dedo ou com caneta no celular e no tablet.
Para reenquadrar, o botão Guias do player (no computador) mostra as áreas seguras de título e de ação e os recortes de entrega 9:16, 4:5, 1:1 e 16:9. Ligue o recorte 9:16, desenhe o retângulo onde o quadro vertical deve ficar e escreva “versão vertical” no comentário, porque a guia em si não é salva com ele.
Quando o editor exporta os comentários como marcadores em XML para o Premiere ou o DaVinci Resolve, cada marcador leva o autor, o timecode e o texto. O desenho fica no RecReview, e nos planos Pro e Studio o painel do Premiere mostra o desenho por cima do player do próprio painel.
Nas galerias de foto, as mesmas quatro ferramentas valem em cada foto. Mais sobre comentários por timecode.





