QC de vídeo (controle de qualidade) é a conferência que o vídeo finalizado passa antes de qualquer pessoa de fora da ilha de edição assistir. Alguém assiste ao arquivo exportado, ou passa o arquivo por uma ferramenta, atrás de erro que não tem nada a ver com gosto.
É o frame preto no corte, o áudio que estoura, o sobrenome errado no GC, o arquivo exportado no frame rate errado. Quando o QC funciona, o cliente não encontra nenhum deles.
Em resumo
- O QC confere o arquivo exportado atrás de erros técnicos e editoriais, e não se a edição funciona.
- Ele cobre a imagem, o som, o texto na tela e o próprio arquivo.
- Faça um QC curto antes de cada corte ir para o cliente e um completo antes da entrega final.
- A máquina mede bem loudness, pico, silêncio e trecho preto ou congelado curto; sincronia, cor entre os planos e nomes continuam com uma pessoa.
- Quando a emissora ou a plataforma manda especificação técnica, é ela que decide o que passa.
O que o QC de vídeo confere
O QC olha quatro frentes: imagem, som, texto na tela e arquivo. Cada uma tem seus suspeitos de sempre.
- Imagem. Frame preto e flash frame esquecidos nos cortes, congelamento de render travado, frame perdido, blocos de compressão em cena escura e em degradê, tarja preta que não deveria estar ali.
- Som. Pico que distorce, loudness longe do alvo, silêncio onde deveria ter som, canal faltando ou trocado, estalo no corte, sincronia que escorrega.
- Texto na tela. Erro de grafia e nome errado em título e GC, texto fora da área de título, legenda feita sobre um corte antigo, cartela final com o site do ano passado.
- Arquivo. Resolução, frame rate, proporção, codec, distribuição dos canais de áudio, duração e o primeiro e o último frame, tudo contra o que a entrega pediu.
A versão item por item, na ordem que poupa tempo, está no checklist de QC final.
QC não é revisão
A revisão pergunta se o vídeo está bom. O QC pergunta se o arquivo está certo. Na revisão, o diretor ou o cliente julga a história, o ritmo e a trilha. No QC, ninguém reabre a edição.
Por isso o QC roda no arquivo exportado, e não na timeline. Um frame que travou no render, um ajuste do encoder que esmagou as sombras ou um export que vai um frame além do último clipe só existem no arquivo.
E é por isso também que o editor não deveria ser o único a fazer a passada final. Ele sabe o que deveria estar na tela e tende a ver mesmo quando não está.
Quando fazer o QC
O erro mais barato é o que você pega antes de ele ser copiado para a próxima versão. O QC não é uma etapa única no fim, e a maioria das produtoras confere em três momentos:
- Quando o material bruto chega. Uma olhada no material da diária pega foco mole, câmera no frame rate errado ou lapela que falhou, ainda com tempo de regravar.
- Antes de cada corte ir para o cliente. Uma passada curta no arquivo exportado: assistir uma vez do começo ao fim, ler todo texto, ouvir de fone. Assim o retorno do cliente é sobre a edição, e não sobre um erro de digitação.
- Antes da entrega final. A passada completa, contra a especificação, em cada arquivo entregue. A versão vertical ou o arquivo mais leve para internet saíram de outro export e podem quebrar onde o master não quebrou.
O que a máquina confere e o que ela não confere
Tudo o que dá para medir, uma ferramenta confere mais rápido e com mais constância que uma pessoa. Loudness, true peak, silêncio, trecho preto curto e imagem congelada são números, e a ferramenta não cansa na quarta versão às onze da noite.
O que depende de intenção ou de contexto continua precisando de gente. A ferramenta mede que a tela ficou preta por dois segundos, mas não sabe se o diretor queria aquela pausa antes do logo.
Ela também lê o GC sem saber que a diretora de marketing do cliente mudou de sobrenome no ano passado. Fica com uma pessoa:
- Sincronia, principalmente no fim de takes longos, onde o atraso acumula.
- Cor entre os planos, porque um plano trocado depois da correção de cor pode parecer certo sozinho. Veja como revisar a cor de um vídeo.
- Nomes, cargos e cartela final, conferidos com a lista que o cliente aprovou.
- Saber se um preto, um congelamento ou um silêncio foi de propósito.
A divisão que faz sentido é máquina primeiro, gente depois. A ferramenta aponta o que se mede em todo upload, você corrige, e a assistida humana fica para o que só uma pessoa julga.
Quando a entrega tem especificação técnica
Em TV e streaming, quem decide o que passa é a especificação técnica, e o lado de lá roda o próprio QC contra ela. Peça a especificação antes de começar a edição, e não no dia da entrega.
O loudness é onde muita reprovação começa. A EBU R 128, padrão das emissoras europeias, define loudness integrado de -23 LUFS e true peak de no máximo -1 dBTP. Nos Estados Unidos, a ATSC A/85 fixa -24 LKFS. Os alvos e como medir estão em padrões de nível de áudio.
A especificação de TV também cobre coisa com que vídeo de internet nem se preocupa. No Reino Unido, a orientação da Ofcom sobre imagens piscantes limita a três flashes por segundo, e muita emissora pede preto, barras e tom ou uma claquete antes do programa.
Trabalho para internet e redes quase nunca vem com especificação. Escreva uma curta você mesmo, com resolução, frame rate, proporção e alvo de loudness, e combine com o cliente antes do primeiro corte. As configurações de export estão em boas práticas de encoding.
Quem faz o QC e como registrar
A passada final fica melhor com alguém que não editou o vídeo. Na produtora pequena, costuma ser o produtor; na maior, um assistente de edição com checklist e fone.
Anote cada problema no timecode, com o que está errado. “00:01:12:08, um frame preto no corte” vai direto para a correção, e “tem alguma coisa piscando perto do fim” faz o editor assistir tudo de novo. O guia de timecode explica como escrever.
Guarde as anotações depois da entrega. Se algo ficou como estava de propósito, registre quem do lado do cliente concordou.
Como isso funciona no RecReview
No RecReview, o AI Review roda numa versão quando você pede, ou em todo upload se a revisão com IA automática estiver ligada no workspace. Ele cobre a parte do QC que dá para medir.
No som, ele mede o arquivo inteiro: pico acima do limite seguro, volume bem acima ou bem abaixo do esperado para internet, silêncio longo no meio do vídeo, buraco no áudio, distorção e estalo isolado. A referência é a reprodução na internet, então uma mixagem no padrão de TV aparece como baixa.
Na imagem, ele procura um frame perdido no meio de um plano, um trecho preto curto com borda seca e uma imagem que congela entre trechos com movimento.
Ele lê o texto da tela atrás de erro claro de grafia e de texto cortado na borda, e, quando a tarefa tem roteiro, compara o que foi falado com o que foi escrito.
Cada apontamento tem timecode e aparece como marcador na barra do player e na lista de comentários. Uma segunda conferência olha os frames em volta de um apontamento de imagem e, se parecer intencional, como um fade, o apontamento vai para uma lista recolhida de verificações de baixa confiança, em vez de sumir.
O AI Review não confere o arquivo contra a especificação técnica da emissora e não julga sincronia nem cor entre os planos. Essa parte do QC continua com uma pessoa, no mesmo player, com cada comentário preso ao frame para o editor.






