Blog · Pós-produção

GC em vídeo: erros comuns e um checklist antes de mandar ao cliente

O GC é onde o cliente acha erro primeiro: nome com a grafia errada, cargo do ano passado. Um checklist de nome, cargo, tempo na tela, área de segurança e celular, e como coletar tudo antes da edição.

Samuel Silva8 de outubro de 2026 · 7 min de leitura
Player com a área de título de 90% e o recorte 9:16 desenhados sobre o vídeo

O cliente passa o olho em quase todo o corte. Acompanha a história, comenta a trilha. Aí entra o GC com o nome do diretor dele, e ele lê letra por letra, porque é a única parte do vídeo que ele conhece melhor do que qualquer pessoa na ilha.

Um acento faltando, um cargo de antes da reestruturação ou um sobrenome quebrado em duas linhas aparecem na primeira assistida, e cada um custa uma rodada.

Os erros de GC se repetem, então dá para conferir sempre do mesmo jeito. A lista abaixo cobre só o GC de nome e cargo. Para o resto do vídeo, veja os guias de controle de qualidade de vídeo e de QC final.

Em resumo

  • Copie cada nome da própria pessoa e confira os acentos no frame renderizado, não na caixa de texto.
  • Tenha cada cargo aprovado por escrito, no gênero certo, e só encurte com licença do cliente.
  • Mande ao cliente uma lista separada de nomes e cargos para confirmar antes da edição.
  • Deixe o GC na tela tempo para ler duas vezes, dentro da área de título e legível no celular.

Escreva o nome como a pessoa escreve

Copie da pessoa, não do áudio da entrevista nem de um e-mail antigo. Luiz e Luís, Thaís e Taís, Souza e Sousa são pessoas diferentes. O “de”, o “da” e o “dos” do meio ficam em minúscula (Maria das Graças).

GC em caixa alta não perde acento: JOSÉ continua JOSÉ, CONCEIÇÃO continua com cedilha e til. Use o nome que a pessoa usa no dia a dia, que nem sempre é o do crachá.

Depois confira o frame renderizado, não a caixa de texto. Muita fonte de título não tem Ç, Ã ou Õ. Quando falta o caractere, o programa de grafismo troca só aquela letra por outra fonte ou desenha um quadradinho, e nenhum dos dois aparece enquanto você digita.

Use o cargo que o cliente aprovou

Cargo muda mais rápido do que vídeo fica pronto. A entrevista é em março, a pessoa é promovida em abril e o corte sai em maio com o cargo antigo. LinkedIn também envelhece.

Em português, cargo tem gênero. “Diretor de Marketing” no GC de uma diretora é erro clássico de quem duplicou a camada do GC anterior.

Peça cada cargo ao cliente, guarde o “ok” por escrito e combine o padrão da casa: “Head de Vendas” ou “Gerente de Vendas”, nome da empresa em todo GC ou só para quem é de fora. Escolha uma regra e use em todos.

Para encurtar, peça licença. “Diretora Executiva de Operações Logísticas para a América Latina” não cabe numa linha com letra legível. O cliente talvez aceite “Diretora de Operações, América Latina”, mas quem decide é ele, e não o motion designer às onze da noite.

Colete nome e cargo antes da edição

O lugar mais barato para corrigir um nome é antes de alguém digitá-lo. Ponha todos os GCs no roteiro, com o texto exatamente como vai aparecer. O nosso modelo de roteiro mostra onde.

Depois mande ao cliente uma lista separada, só com nomes e cargos, um por linha, para ele confirmar cada um. Roteiro de seis páginas a pessoa lê na diagonal. Uma lista de dez nomes ela lê com atenção e encaminha para quem está nela.

Na diária, peça a cada entrevistado para falar e soletrar nome e cargo para a câmera antes da primeira pergunta. Fica um registro no material bruto para o dia em que a lista e a pessoa não baterem.

Daí em diante o editor copia da lista confirmada, nunca de cabeça, e o episódio seis da série sai com a grafia do episódio um.

Uma ou duas linhas, tempo para ler duas vezes

Nome na primeira linha, cargo na segunda. Nome e sobrenome ficam juntos, a mesma regra que os guias de legenda seguem para quebrar linha.

Não existe número de mercado para o tempo do GC na tela, mas dá para calcular. O guia de legendas da Netflix em português do Brasil aceita até 17 caracteres por segundo em programa adulto.

“Thaís Albuquerque / Diretora de Operações” tem 38 caracteres, então uma leitura leva pouco mais de 2 segundos e duas leituras, uns 4,5. Duas, porque quem assiste também está ouvindo e olhando o rosto da pessoa. Conte a partir do fim da animação de entrada.

O GC entra na primeira aparição da pessoa. Só repita se ela voltar depois de muito tempo, num evento gravado ou numa live que o público assiste pulando.

Faça o GC entrar depois do começo do plano e sair antes do corte, para não atravessar dois planos. Se duas pessoas dividem o quadro, cada nome vai do lado de quem é.

Dentro da área de título e legível no celular

A área de segurança de título (title safe) é onde o texto fica garantido na tela. A de ação (action safe), um pouco maior, vale para o resto do que importa.

Para HD e 4K em 16:9, a norma SMPTE ST 2046-1 e a recomendação R 95 da EBU põem a área de título em 90% do quadro, com margem de 5% em cada borda, e a de ação em 93%.

As telas de hoje cortam bem menos que a TV de tubo, mas o canto arredondado do celular e os botões dos apps de rede social comem a borda.

Confira cada formato de entrega. A versão 9:16 tirada do meio de um quadro 16:9 fica com menos de um terço da largura, e um GC que começa na linha de título da esquerda some inteiro.

Legenda gravada na imagem mora na mesma faixa de baixo, então um dos dois sobe enquanto o GC está na tela.

O contraste tem que aguentar o plano inteiro. Letra branca sobre camisa branca ou céu estourado some, e câmera na mão mexe o fundo por baixo do texto.

Uma tarja ou uma sombra suave resolve quase sempre. As diretrizes de acessibilidade da web (WCAG) pedem contraste de pelo menos 4,5:1 para texto comum, uma boa meta aqui também.

O tamanho é onde o GC desenhado no monitor grande desanda. O celular em pé mostra o vídeo 16:9 com uns 390 pontos de largura, então o quadro de 1920 pixels encolhe para mais ou menos um quinto.

As diretrizes de interface da Apple põem o texto mínimo no iPhone em 11 pontos, o que dá uns 54 pixels numa composição 1080p. Uma linha de cargo em 40 pixels, elegante no monitor de 27 polegadas, chega ao celular com uns 8 pontos. Assista ao arquivo exportado no celular antes de enviar.

Checklist antes de mandar o corte

  1. Todo nome bate com a lista confirmada, com acento e maiúscula.
  2. Todo cargo é o aprovado, no gênero certo e no padrão do cliente.
  3. Ç, til e acentos saem na fonte certa.
  4. Uma ou duas linhas, nome e sobrenome juntos.
  5. Tempo para ler duas vezes depois que a animação entra.
  6. Só na primeira aparição, sem atravessar corte.
  7. Dentro da área de título em todo formato entregue.
  8. Sem bater na legenda gravada na imagem.
  9. Legível sobre a imagem de verdade, no celular.
  10. Mesmo modelo, posição e tempo em toda a série.

Como isso funciona no RecReview

No player do RecReview, a tecla G desenha a área de título em 90% e a de ação em 93% por cima da imagem.

O botão Guias abre um painel com essas áreas, a grade da regra dos terços e os recortes de entrega 9:16, 4:5, 1:1 e 16:9, um de cada vez, para ver o que sobra do GC na versão vertical antes de exportar. O cliente no link de revisão tem as mesmas guias.

Quando o cliente acha um cargo errado, ele clica no momento, circula o GC e escreve o comentário, que chega ao editor naquele frame. Peça para ele escrever o texto certo entre aspas.

O AI Review é mais uma camada. Ele lê o texto da tela e aponta erro claro de ortografia, inclusive em nome, texto cortado na borda ou apagado demais para ler e GCs do mesmo tipo em fontes diferentes.

Depois que o cliente comenta, as versões seguintes são conferidas contra os pedidos dele. Onde ele pediu troca de texto, o AI Review lê a versão nova naquele trecho, marca o pedido como feito, parcial ou não feito e mostra o que leu.

Com o texto entre aspas, ele tem o que procurar. Cada apontamento vem com o timecode, e quem decide o que mudar é o editor.

O AI Review não sabe qual é o cargo certo de cada pessoa, então um cargo bem escrito mas desatualizado passa. Esse só a lista confirmada pelo cliente pega.

Confira o texto da tela onde o cliente pediu correção.

No RecReview, o AI Review lê o texto da tela e aponta erro claro de ortografia, inclusive em nome. Nas versões seguintes, lê o texto onde o cliente pediu correção e marca cada pedido como feito ou não feito.

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Pedidos da versão anterior com o veredito do AI Review: feito, parcial ou não feito

Perguntas frequentes

Quanto tempo o GC deve ficar na tela?

O suficiente para ler duas vezes depois que a animação termina de entrar. Não existe um número único de mercado, mas dá para calcular pela velocidade de leitura das legendas. O guia da Netflix em português do Brasil aceita até 17 caracteres por segundo em programa adulto, então um GC de 38 caracteres pede uns 4,5 segundos na tela, mais o tempo de entrada e saída da animação.

Onde posicionar o GC na tela?

Dentro da área de segurança de título. Para HD e 4K em 16:9, a SMPTE ST 2046-1 e a EBU R 95 definem essa área em 90% do quadro, com margem de 5% em cada borda. Se o vídeo também sai em versão vertical ou quadrada, confira cada recorte: a versão 9:16 tirada do meio de um quadro 16:9 fica com menos de um terço da largura.

O GC precisa aparecer toda vez que a pessoa fala?

Não. Ele entra na primeira aparição da pessoa. Só vale repetir se ela voltar depois de muito tempo num vídeo longo, como a gravação de um evento ou de uma live que as pessoas vão assistir pulando trechos.

Qual o erro mais comum em GC?

Nome com a grafia errada e cargo desatualizado. Os dois se resolvem antes da edição: escreva cada GC no roteiro exatamente como vai aparecer, mande ao cliente uma lista separada com nomes e cargos para ele confirmar e faça o editor copiar dessa lista em vez de redigitar.

Sua próxima produção, inteira num lugar só.

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