Quase toda produtora chega ao primeiro preço perguntando por aí. Um colega conta quanto cobra a diária, ou alguém num grupo de WhatsApp garante que o certo é cobrar por minuto de vídeo pronto, e o próximo job fecha num valor que pareceu razoável. Três semanas depois, ninguém sabe dizer se deu lucro.
Preço emprestado vem com os custos e os clientes de outra produtora embutidos.
Montar o seu dá algumas semanas de medição na primeira vez, e depois vira uma planilha que você revisa de tempos em tempos.
Em resumo
- Conte todas as etapas do projeto, incluindo as rodadas de alteração e a gestão, que é onde o orçamento mais vaza.
- Lance as horas por etapa em três a cinco projetos e use a mediana de cada etapa.
- Divida o custo de um mês normal pelas horas que dá para vender e depois por 0,75 para ficar com 25% do preço.
- Cobre rodada extra e urgência com base nos seus dados, e deixe as duas na proposta.
O que um projeto de vídeo consome de verdade
Pergunte a um editor quanto tempo leva um institucional de dois minutos e ele vai falar da edição. A ilha costuma ser o maior bloco, mas o orçamento que só conta a edição deixa de fora boa parte do que dá errado. Um projeto típico passa por:
- pré-produção, com briefing, roteiro, locação, elenco e plano de gravação
- a diária, contada da chegada no set até o equipamento voltar para a produtora
- a edição, até o primeiro corte que o cliente vê
- cada rodada de alteração depois disso
- finalização, com cor, mixagem, GC e cartelas, legenda e um arquivo para cada formato
- gestão do projeto, com e-mail, ligação para alinhar comentário, agenda, upload de versão e o vai e vem até a aprovação
O último item é onde o orçamento mais vaza. Ninguém abre planilha de horas para uma ligação de 20 minutos sobre o tamanho do logo, mas uma dúzia dessas ligações come meio dia de trabalho.
As rodadas de alteração vêm logo atrás. O orçamento reserva uma noite para “ajustes finos”, e os comentários chegam em três levas.
Meça alguns projetos por etapa
Pegue os próximos três a cinco projetos parecidos com o trabalho que você quer vender e lance as horas por etapa durante o trabalho, ligações e uploads incluídos. Separe as rodadas de alteração da primeira edição, porque é esse número que diz quantas rodadas cabem num preço fechado.
Quando os projetos fecharem, use a mediana de cada etapa em vez do projeto que correu liso e compare com o que você orçou. Se a edição bateu com a estimativa e a gestão estourou, você já sabe qual linha do próximo orçamento corrigir.
Transforme horas em custo por hora
Some o que a produtora custa num mês normal: salários, o seu pró-labore (com um valor de verdade, mesmo que ele seja irregular), freelancers fixos, aluguel, software, seguro, contador e o equipamento que um dia vai ser trocado, dividido pelos meses de uso.
Depois divida pelas horas que dá para vender, que são menos do que as horas que você paga. Um editor pago por 160 horas no mês também passa tempo em reunião interna, backup e proposta, além dos dias parados entre um job e outro. O dono perde ainda mais com venda e administração.
A parte das horas pagas que vai para trabalho de cliente é a taxa de ocupação, e é fácil chutar alto. Confira a sua com os projetos medidos, dividindo as horas lançadas em trabalho de cliente pelas horas pagas no mês.
Por exemplo, uma produtora de três pessoas, o dono e dois editores, custa R$ 43.200 por mês, sendo R$ 36.000 entre salários e pró-labore e R$ 7.200 de custos fixos. São 480 horas pagas (3 × 160), e no mês medido 288 delas foram para trabalho de cliente, uma ocupação de 60%.
Cada hora que dá para vender custa R$ 43.200 ÷ 288 = R$ 150.
Agora entra a margem, a parte do preço que fica como lucro, e ela não é a mesma coisa que markup. Para ficar com 25% do preço, divida o custo por 0,75: R$ 150 ÷ 0,75 = R$ 200 a hora.
Somar 25% em cima de R$ 150 dá R$ 187,50, que deixa R$ 37,50 de lucro, só 20% do preço. É a margem que segura um mês fraco ou um cliente que paga com 60 dias de atraso.
Os valores aqui estão antes do imposto da nota. No Simples, o imposto incide sobre o faturamento, então a alíquota da sua faixa também entra dividindo, como a margem.
Escolha o formato do orçamento
Os quatro formatos abaixo usam o mesmo valor interno da hora. A diferença está em quem fica com o prejuízo quando o job passa do previsto.
Cobrar por hora funciona em trabalho sem escopo fechado, como garimpar um acervo. O risco fica com o cliente, e quase nenhum cliente gosta de taxímetro ligado.
A hora também paga menos a quem vai ficando mais rápido. Se for cobrar assim, combine um teto.
Preço fechado por projeto, com um número definido de rodadas, é o formato mais comum quando a entrega está clara. O cliente sabe o total antes de aprovar, e o risco de uma edição demorada passa para você. Escreva a duração, os formatos, quantas rodadas e o que conta como uma rodada.
A diária é a unidade natural da gravação. Defina quantas horas ela tem e o que acontece depois delas, e cobre equipamento e deslocamento em linhas separadas.
O fee mensal serve para trabalho recorrente, como um pacote de cortes para redes todo mês. Ele precisa de limite de volume e de rodadas, senão o volume cresce mês a mês e o valor continua o mesmo.
Rodada extra e urgência
Cobre a rodada extra com base nos seus dados. Se uma rodada leva umas quatro horas da equipe, a extra a R$ 200 a hora sai por R$ 800, e esse valor vai na proposta antes de o projeto começar.
Roteiro novo ou material novo é mudança de escopo e ganha orçamento novo, fora da conta de rodadas. O post sobre como parar as rodadas de alteração sem fim fala de como segurar esse número.
Urgência tem custo de verdade, em hora extra ou no job de outro cliente que fica para depois. Cobre um adicional sobre as horas que ela afeta e deixe isso escrito na proposta.
Um exemplo de orçamento
Veja como essa produtora poderia orçar um institucional de dois minutos, com uma diária e duas rodadas incluídas, a partir da mediana de três projetos parecidos que ela mediu. Todos os valores são de exemplo, em reais.
| Etapa | Horas |
|---|---|
| Pré-produção: briefing, roteiro, plano de gravação | 10 |
| Diária: 2 pessoas × 10 horas | 20 |
| Edição até o primeiro corte | 16 |
| Duas rodadas de alteração | 8 |
| Cor, mixagem e arquivos finais | 6 |
| Gestão e reuniões com o cliente | 6 |
| Total | 66 |
A R$ 200 a hora, 66 horas dão R$ 13.200. Locação de equipamento e um técnico de som freelancer somam R$ 1.800, repassados pelo custo, e o orçamento fecha em R$ 15.000.
Uma terceira rodada sairia por R$ 800, e a urgência, cobrada a 30% sobre as 30 horas de pós (edição, rodadas e finalização), soma R$ 1.800.
Se o cliente quiser só a gravação, a diária da dupla sai por R$ 4.000, fora o equipamento. Quatro cortes para redes por mês, com seis horas cada e mais quatro de reunião, dão 28 horas, um fee mensal de R$ 5.600.
Como o RecReview ajuda a medir
O RecReview não guarda valor de hora nem emite fatura. O orçamento continua na sua planilha, e as horas que entram nela saem do timer.
Todo cartão de tarefa, no kanban ou na grade de vídeos, e toda linha da visão em tabela têm um timer que começa com um clique. Cada pessoa tem um timer rodando por vez, então começar o de outra tarefa fecha o anterior.
O cartão mostra as horas já lançadas, e na página de revisão o timer ativo fica no topo da tela, com um botão para parar.
Cada sessão guarda a fase em que a tarefa está, como pré-produção, produção ou pós-produção. Nos detalhes da tarefa aparecem o total, as horas de cada pessoa e a estimativa, com quanto dela já foi usado. Ao definir a estimativa, o RecReview sugere um valor pela mediana das horas lançadas nas outras tarefas do mesmo projeto.
Donos e administradores têm ainda as Métricas, com um gráfico que agrupa as horas por cliente, projeto, fase ou pessoa, por dia, semana ou mês. Em outra aba ficam a média de horas por vídeo, as horas de pós-produção por vídeo e a comparação entre horas gastas e estimadas.
São os números que este texto pede para levantar. Mais detalhes nas páginas de controle de horas e de métricas.





