Muito roteiro de vídeo institucional nasce num documento de Word escrito em parágrafo corrido. O off, a fala do CEO, o texto dos GCs e um lembrete do tipo “aqui entra o drone do prédio” ficam todos misturados. Funciona enquanto uma pessoa só lê.
Aí chega a diária e o apresentador lê “aqui entra o drone do prédio” no teleprompter. Na ilha de edição, alguém tem que adivinhar quais frases eram para aparecer na tela, e o motion designer digita o cargo do CEO de cabeça.
O roteiro em duas colunas, que muita gente chama de roteiro AV (áudio e vídeo), dá a cada tipo de informação o seu lugar. O que se vê vai na coluna da esquerda e o que se ouve vai na da direita.
Em resumo
- O que se vê vai na coluna da esquerda e tudo o que se ouve vai na da direita, uma linha por momento do vídeo.
- Numere as linhas, comece cada entrada com uma marcação em maiúsculas e deixe a direção fora da fala.
- Escreva GC e números no roteiro exatamente como vão aparecer e peça para o cliente conferir essas linhas.
- A 140 palavras por minuto, um vídeo de 1 minuto comporta umas 140 palavras faladas, então cronometre o apresentador e corte antes da diária.
O que vai em cada coluna
A coluna da esquerda é a imagem. Ela descreve o plano (quem está em quadro, que imagem de apoio entra, qual close do produto) e guarda todo texto que vai aparecer na tela: GC, cartela, número animado, a assinatura com o logo no fim.
A coluna da direita é o som. Toda palavra dita em voz alta fica nela, seja off, sonora de entrevista ou apresentador falando para a câmera. As marcações de trilha e de efeito sonoro também ficam ali.
Cada linha da tabela é um momento do vídeo. Lendo na horizontal, você sabe o que está na tela enquanto aquela fala toca. Lendo só a coluna da direita, você tem o texto falado inteiro.
É esse texto que vai para o teleprompter e que você cronometra. Mais tarde, é com ele que se confere o corte final.
O modelo
Copie as duas tabelas para o Google Docs ou o Word. A primeira é o cabeçalho e fica no topo da primeira página.
| Campo | Preencher |
|---|---|
| Cliente | |
| Código e título do vídeo | |
| Versão do roteiro e data | |
| Duração desejada | |
| Quem aprova pelo cliente |
| # | Vídeo (o que se vê) | Áudio (o que se ouve) |
|---|---|---|
| 1 | ||
| 2 | ||
| 3 |
Numere as linhas e mantenha a numeração quando entrar ou sair alguma coisa (5a e 5b resolvem). Quando o cliente escrever “muda a linha 6”, todo mundo abre no mesmo lugar, até quem imprimiu.
Preencha o campo de aprovação antes de fechar equipe. Roteiro institucional passa por várias mãos no cliente, e você precisa saber de quem é o sim que vale.
Convenções que deixam o roteiro usável
Uma linha por fala, ou por frase quando a fala é comprida. Linha com um parágrafo inteiro de off obriga a coluna de vídeo a descrever quatro planos na mesma célula, e ninguém sabe qual imagem vai com qual frase.
Comece cada entrada da coluna de vídeo com uma marcação em maiúsculas. APOIO é imagem de apoio (o B-roll), GC é nome e cargo, CARTELA é texto em tela cheia, ARTE é número animado, gráfico ou mapa, e LOGO é a assinatura final. O editor procura os APOIOS, e o motion designer tira a lista de todos os textos de tela em dois minutos.
Na coluna de áudio, quem fala vem em maiúsculas com dois-pontos: OFF para a locução e o primeiro nome para quem dá sonora ou fala para a câmera. Trilha e efeito ganham marcação própria (TRILHA, EFEITO) e uma nota curta do que acontece, como “TRILHA: sobe por cinco segundos e desce para BG”.
Direção não entra na fala. Um “(pausa)” no meio da frase vai parar no teleprompter e ainda infla a contagem de palavras.
Se o apresentador precisa de uma indicação, ela vai na coluna de vídeo da mesma linha. Nosso guia de como ler no teleprompter trata do lado de quem está na frente da câmera.
Na coluna de áudio, escreva os números do jeito que vão ser falados. “Quarenta e dois mil metros quadrados” é mais fácil de ler em voz alta do que “42.000 m²”, e por extenso a contagem de palavras sai certa. Na coluna de vídeo, o mesmo número vai exatamente como deve aparecer na tela.
Texto de tela entra no roteiro do jeito que vai aparecer
Nome errado no GC é o tipo de erro que sobrevive a três rodadas, porque esse texto é digitado à mão no fim da edição, muitas vezes copiado de um e-mail antigo. Com o texto final no roteiro, o motion designer copia em vez de redigitar.
Para cada GC, escreva o nome como a pessoa grafa (Luiz com z, Thaís com h e acento) e o cargo que o cliente aprovou, porque cargo muda e o que está no LinkedIn pode estar velho. Marque com uma barra onde a linha quebra.
Para número, defina o formato antes da edição: ponto de milhar, vírgula decimal, R$ ou US$, unidade. Data segue o padrão da marca. Ponha tudo entre aspas, para quem ler a célula saber que aquele é o texto exato.
Depois peça para o cliente conferir essas linhas especificamente. “Por favor, confirme nomes, cargos e números da coluna de vídeo” tem resposta mais rápida e mais cuidadosa do que “dá uma olhada no roteiro”.
Exemplo: um institucional de 75 segundos
Uma empresa de logística inventada inaugurando um centro de distribuição.
| Campo | Preencher |
|---|---|
| Cliente | Fennick Logística |
| Código e título do vídeo | FNK_014, Novo centro de distribuição |
| Versão do roteiro e data | v2, 21/10/2026 |
| Duração desejada | 1:15 |
| Quem aprova pelo cliente | Marta Ribeiro |
| # | Vídeo (o que se vê) | Áudio (o que se ouve) |
|---|---|---|
| 1 | Drone, plano aberto: o prédio novo ao nascer do sol, caminhões enfileirados nas docas. LOGO: Fennick, canto inferior direito. | TRILHA: abertura, sobe por cinco segundos e desce para BG. |
| 2 | APOIO: empilhadeira levando paletes entre as estantes. Aproximação lenta na esteira. | OFF: Todo dia, onze mil pedidos saem deste prédio. Dois anos atrás, eram quatro mil. |
| 3 | Marta na mesa dela, plano médio. GC: “Marta Ribeiro / CEO da Fennick Logística” | MARTA: Durante dois anos a gente teve que recusar cliente. O galpão antigo não dava mais conta, então a gente construiu um que desse. |
| 4 | APOIO: plano aberto do galpão, as catorze docas. ARTE: “42.000 m²” contando por cima da imagem. | OFF: São quarenta e dois mil metros quadrados, catorze docas e uma linha de separação que não para nem de madrugada. |
| 5 | APOIO: turno da noite, caixas saindo pela esteira, caminhão deixando a doca no começo da manhã. | OFF: Pedido feito até as dez da noite sai embalado, separado e na estrada às seis da manhã seguinte. |
| 6 | Daniel andando pelo galpão com um tablet. GC: “Daniel Souza / Diretor de Operações” | DANIEL: Cada pacote é lido em menos de um segundo. Se a etiqueta está errada ou a caixa chegou amassada, a gente pega aqui na linha, bem antes de ela chegar perto do caminhão. |
| 7 | APOIO: reunião da manhã com a equipe. Closes de mãos passando o leitor nas caixas. | OFF: Duzentas e trinta pessoas trabalham aqui, em três turnos, e a maioria mora a menos de vinte minutos do portão. |
| 8 | Marta, mesmo enquadramento da linha 3. Sem GC, ela já foi apresentada. | MARTA: O nosso cliente quer o pedido amanhã. A nossa equipe quer chegar em casa no horário. Este prédio deixa a gente fazer as duas coisas. |
| 9 | CARTELA: “Fennick Logística / Desde 1998” sobre o drone da linha 1. | OFF: Fennick Logística. TRILHA: sobe e sai. |
A coluna de áudio tem umas 150 palavras faladas, pouco mais de um minuto de fala. Com a abertura de trilha e a cartela final, o vídeo fecha perto de 1:15.
Quantas palavras para a duração que você quer
Conte só as palavras da coluna de áudio, sem os nomes de quem fala e as marcações. Divida pelo ritmo de fala e some os momentos sem fala, como uma abertura só com trilha ou a cartela final.
O ritmo depende da pessoa. Apresentador lendo teleprompter fala num ritmo, CEO respondendo pergunta fala em outro, e a mesma pessoa acelera quando fica nervosa.
A tabela abaixo usa 140 palavras por minuto, a referência que o RecReview usa na estimativa de duração. Cronometre o seu apresentador lendo uma linha em voz alta e ajuste. O ritmo por tipo de vídeo e o jeito certo de cronometrar estão em quantas palavras cabem num minuto de vídeo.
| Duração desejada | Palavras faladas a 140 por minuto |
|---|---|
| 30 segundos | 70 |
| 1 minuto | 140 |
| 1 minuto e meio | 210 |
| 2 minutos | 280 |
| 3 minutos | 420 |
| 5 minutos | 700 |
Se o roteiro passou da conta, corte antes da diária. No papel, tirar uma frase leva um minuto. Na ilha, é cortar dentro de um take que talvez não tenha um ponto limpo.
Para entrevista, escreva a resposta que você espera, avise na coluna de vídeo que é só uma referência e conte as palavras mesmo assim. Com a duração fechada, é em cima dela que você monta o cronograma da diária.
Como isso funciona no RecReview
No RecReview, o roteiro fica na tarefa do vídeo. Dá para subir um arquivo (PDF, Word, PowerPoint, TXT ou RTF, até 50 MB) ou ligar um documento do Google Drive ou do OneDrive.
Se a sua equipe escreve no Google Docs, salve este modelo como Doc, conecte o Google Drive e defina o arquivo como modelo de roteiro do workspace. Na tarefa, Criar do template copia o modelo para a pasta que você escolheu e dá nome ao arquivo por um padrão, como código do vídeo mais título.
Os campos que você deixou no cabeçalho, como {{cliente}}, {{projeto}}, {{codigo}}, {{titulo}}, {{data}} e {{duracao}} (a duração prevista na tarefa), já vêm preenchidos. O Doc novo entra na tarefa como roteiro.
Calcular duração lê o roteiro, fica só com o texto falado e conta a 140 palavras por minuto. O resultado vira a duração prevista do vídeo na tarefa.
Quando o vídeo entra num plano de produção, o bloco de gravação pega essa duração e multiplica pelo ritmo escolhido para a diária (Realista, o padrão, é 3×). A estimativa só conta fala, então a abertura com trilha você soma à parte.
A mesma limpeza alimenta o teleprompter. Ela tira o texto de GC e de cartela, a direção de câmera, o cabeçalho de cena, os efeitos sonoros e o nome de quem fala no começo de cada linha, e o apresentador vê só o que tem que dizer. Se escapou alguma coisa, dá para editar o texto antes de gravar.
Quando o corte volta da edição, o AI Review pode comparar o vídeo com o roteiro. Ele escuta se alguma fala foi cortada, acrescentada ou trocada e percebe trecho pulado ou fora de ordem.
O texto dos GCs fica fora dessa comparação, porque o roteiro passa pela mesma limpeza do teleprompter, então nome e cargo na tela ainda dependem da lista confirmada pelo cliente.
Cada apontamento vem com o timecode e o que foi visto ou ouvido ali, e quem decide o que mudar é o editor. Na primeira versão ele confere o roteiro inteiro. Depois que o cliente comenta uma versão, os comentários dele passam a ser a referência.





