Quase todo corte termina igual. Você exporta, fica olhando a barra de progresso, acha o arquivo, arrasta para o site de revisão, espera subir, copia o link e escreve a mensagem. Num dia com quatro entregas, boa parte da tarde vai embora olhando barra encher.
Duas pastas tiram quase tudo isso da sua mão. Uma é do Adobe Media Encoder (AME) e transforma o que cai nela numa cópia de revisão. A outra é vigiada por um app de upload, que sobe essa cópia para o cliente ver.
É na passagem de uma para a outra que as coisas costumam dar errado.
Em resumo
- A pasta monitorada do Media Encoder codifica o que cai nela, e a do app de upload sobe o arquivo pronto.
- Marque Auto-Encode Watch Folders, deixe o Media Encoder aberto e solte arquivos, não pastas.
- Aponte o app de upload para a pasta Output do Media Encoder, para subir a cópia de revisão e não o master.
- Dê ao master o nome com o código da tarefa, porque a cópia de revisão herda esse nome.
- Num corte de cinco minutos, a cópia em H.264 sobe em uns 2 minutos, e o master ProRes em uns 22.
Dois tipos de pasta monitorada
A pasta monitorada do Media Encoder (watch folder, na interface) é uma regra de encode presa a uma pasta. Você solta um arquivo e o AME codifica com os presets escolhidos, sem ninguém mexer na fila.
A pasta monitorada de um app de upload não codifica nada. Ela espera aparecer um arquivo pronto e manda para algum lugar, quase sempre a plataforma onde o cliente vai assistir. Com as duas em sequência, o export do Premiere vira versão nova para o cliente sem ninguém arrastar arquivo.
Como configurar a pasta monitorada no Media Encoder
- Crie a pasta no Finder antes, com um nome que diga o que sai dela, tipo
_revisao-h264. - Abra o Media Encoder, vá ao painel Watch Folders (nomes da interface em inglês), clique no botão de mais e escolha a pasta.
- O AME já coloca um preset H.264, e um clique no nome dele troca. Para cópia de revisão, o H.264 Match Source - High bitrate é um bom começo, porque mantém o tamanho e a taxa de quadros do master.
- Se o mesmo arquivo também precisa virar a versão vertical, adicione outra saída, com o preset dela.
- No painel Queue, marque Auto-Encode Watch Folders. Sem isso, o arquivo fica parado na pasta e nada é codificado.
Por padrão, o AME grava o que codificou numa pasta Output que ele cria dentro da monitorada. Para mandar para outro lugar, clique no caminho azul ao lado do preset.
O arquivo que você soltou também muda de lugar e vai para uma pasta Source, numa subpasta com data e hora, para não ser codificado duas vezes. Se esse arquivo é usado em outro lugar, como num projeto do Premiere, solte uma cópia ou um alias (dica do Larry Jordan), senão o projeto abre com mídia offline.
E o Media Encoder precisa ficar aberto. Fechou, a pasta deixa de ser vigiada.
Onde a pasta monitorada do Media Encoder engana
- O AME só olha os arquivos soltos direto na pasta. Uma subpasta cheia de clipes não é lida, como o pessoal vive relatando no fórum da Adobe, então arraste os arquivos.
- Pasta no servidor funciona e deixa a equipe inteira soltar arquivos, mas uma máquina continua tendo que rodar o Media Encoder e fazer todo o encode. O guia de pastas em rede do Larry Jordan separa um computador só para isso.
- Não aponte a saída de volta para a pasta monitorada. O AME trata qualquer vídeo lá dentro como trabalho novo e codificaria o próprio render outra vez.
- Use uma pasta por entregável. Se cópia de revisão e master saem da mesma pasta, cada arquivo solto gera os dois.
- O AME espera o arquivo terminar de chegar e ainda dá um pequeno intervalo, então alguns segundos parado é normal.
A segunda pasta: levar o render até o cliente
Subir a partir de uma pasta parece simples até o primeiro arquivo quebrado chegar no cliente. O encoder grava enquanto trabalha, e um MP4 ou MOV só ganha o índice no finalzinho.
Quem sobe o arquivo assim que ele aparece manda um vídeo que não abre ou trava no meio. Um app cuidadoso espera o arquivo parar de crescer e o encoder largar dele, e só então confere se está completo.
O app também precisa saber para onde o arquivo vai, e isso está no nome do arquivo ou em lugar nenhum. É aqui que um padrão de nome com o código no começo mais se paga.
A corrente que funciona é assim:
- O Premiere exporta o master para a pasta monitorada do Media Encoder.
- O AME grava a cópia de revisão em H.264 na pasta Output.
- O app de upload vigia essa pasta Output.
Se vigiasse a pasta de cima, subiria o master que você soltou para codificar. Para pular a primeira pasta, mande o export do Premiere para a fila do Media Encoder com a saída apontada para a pasta do app de upload.
Mandar o link para o cliente é outro passo, que a gente explica em como enviar vídeo para o cliente revisar.
O que quebra a corrente
Render pela metade é o clássico. Para testar o app de upload, exporte algo longo e veja o que ele faz no meio.
Depois vem o nome. O AME dá à cópia de revisão o nome do arquivo que você soltou, então ele tem que estar certo já no master. Entra AUR_014_teaser_v03.mov e sai AUR_014_teaser_v03.mp4.
Entra Sequência 01.mov e sai Sequência 01.mp4, e ninguém lá na frente sabe de que trabalho é.
E tem o master subindo no lugar da cópia de revisão. O white paper do Apple ProRes coloca o ProRes 422 HQ em cerca de 220 Mb/s para 1080p a 29,97 fps. Num corte de cinco minutos, a diferença fica assim:
| Arquivo | Taxa | Tamanho | Upload a 50 Mb/s |
|---|---|---|---|
| Master ProRes 422 HQ | cerca de 220 Mb/s | cerca de 8,3 GB | cerca de 22 min |
| Cópia de revisão H.264 | 20 Mb/s | 750 MB | cerca de 2 min |
Os tempos supõem os 50 Mb/s inteiros para o upload, o que quase nunca acontece. E o cliente no navegador não precisa de ProRes.
Internet lenta piora tudo, porque quanto mais o envio demora, mais chance tem de pegar a conexão caindo ou o Mac em repouso. Quem manda o arquivo em partes repete só a parte que falhou.
Como isso funciona no RecReview
O app do RecReview para Mac tem pastas monitoradas, na aba Pastas Monitoradas das Configurações. Ainda não existe versão para Windows.
Cada pasta fica no workspace em que você está, e dá para definir cliente e projeto padrão para tarefas novas, escolher entre empilhar os arquivos como versões ou sempre criar tarefa nova, e ligar ou desligar o AI Review.
O app só olha os vídeos que estão direto na pasta, não nas subpastas, então aponte para a pasta Output do Media Encoder.
Ele espera o arquivo ficar 15 segundos sem crescer e nenhum outro programa estar com ele aberto, o que pode levar até 24 horas num render pausado. Depois, MP4 e MOV passam por uma conferência, e o export que morreu no meio é ignorado e marcado como incompleto.
Os arquivos sobem um de cada vez, em partes, com novas tentativas, e o Mac não entra em repouso enquanto um deles está subindo. Quando o upload termina ou falha, chega uma notificação.
O mesmo arquivo nunca sobe duas vezes, e o render que terminou com o app fechado sobe quando ele abre de novo, então vale ligar a opção Abrir ao iniciar o Mac.
No modo automático, um arquivo cujo nome começa com o código de uma tarefa, como MSH_001, vira a próxima versão dessa tarefa, desde que o prefixo seja o código de um dos seus clientes. As versões são numeradas na ordem em que chegam, então o v03 do nome é para as pessoas lerem.
Um arquivo sem código é associado pelo nome e, se nada bater, vira uma tarefa nova com o nome do arquivo. Enquanto ele espera ou sobe, dá para escolher a tarefa na mão, na lista de envios do app.
Cada plano tem um limite por arquivo, 2 GB no Creator, 5 GB no Pro e 10 GB no Studio, então aquele master de 8 GB só cabe no Studio, enquanto a cópia de revisão cabe em qualquer plano.
No Premiere, o botão Enviar nova versão do painel do Premiere exporta a sequência em H.264, dá ao arquivo o código da tarefa e o número da próxima versão, e salva numa pasta que o app do Mac vigia depois que você autoriza na primeira vez.





