Toda produtora tem uma pasta mais ou menos assim:
Video_Aurora_FINAL.mp4Video_Aurora_FINAL_2.mp4Video_Aurora_FINAL_v3_aprovado.mp4Video_Aurora_FINAL_v3_AGORA_VAI.mp4
Cada nome fez sentido para quem exportou, provavelmente tarde da noite e com o cliente cobrando no WhatsApp. Um mês depois alguém precisa do corte aprovado para mandar para a emissora, e o único jeito de achar é abrir os quatro e comparar no olho.
O nome do arquivo é a única informação que vai junto com o vídeo para todo lado. Ele está no HD, no e-mail, no WhatsApp, no servidor do cliente e no portal da emissora.
Se o nome diz qual é o vídeo e qual é a versão, a pergunta “qual desses é o certo?” quase sempre se responde sozinha.
Em resumo
- Dê a todo arquivo o nome
CLIENTE_NNN_titulo_vNN, com código fixo do cliente, número sequencial por cliente e versão com dois dígitos. - Final, aprovado e novo descrevem um status, então registre a aprovação onde você acompanha o trabalho, não no nome do arquivo.
- Tudo que tem rodada de revisão própria, como uma versão reduzida aprovada separado, ganha número próprio.
- Use letra minúscula sem acento, número, hífen e sublinhado, e escreva datas como AAAA-MM-DD.
- Repita o mesmo nome na pasta, no projeto, em todo export, em toda mensagem e na lista de entregáveis.
Por que toda produtora acaba com um final_FINAL
Palavras como final, aprovado, novo e corrigido descrevem um status, e chamar um arquivo de final é apostar que não vai ter outra rodada. O status muda e o nome do arquivo fica, então cada rodada empilha mais uma palavra em cima da anterior.
A outra causa é que cada um tem o seu sistema. Um editor começa pela data, outro escreve o nome inteiro do cliente, a produção renomeia o export antes de mandar e o cliente salva como “video aprovado ok.mp4”.
Com quatro padrões no mesmo projeto, achar um arquivo vira perguntar para quem exportou.
Um padrão para adotar hoje
O padrão inteiro cabe numa linha do manual da produtora:
CLIENTE_NNN_titulo_vNN.mp4
- CLIENTE é um código curto do cliente, com três ou quatro letras maiúsculas, que não muda nunca. A Aurora Alimentos é AUR em todo trabalho que você fizer para ela.
- NNN é um número sequencial por cliente. O décimo quarto vídeo da Aurora é o 014. Não reaproveite o número de um vídeo cancelado, para que AUR_014 continue sendo um vídeo só.
- O título tem de uma a três palavras, em minúsculas, ligadas por hífen. Ele existe para quem bate o olho na pasta, então
teaserouentrevista-ceojá resolve. - vNN é a versão, com dois dígitos. Alguns gerenciadores de arquivo e servidores colocam a v10 antes da v2, e o zero na frente evita isso.
O sublinhado separa os campos e o hífen junta as palavras dentro de um campo, então qualquer pessoa (ou script) consegue desmontar o nome nas partes.
AUR_014 é a identidade do vídeo. A versão é outro campo, que anda a cada rodada enquanto o código fica parado.
| Nome do arquivo | O que é |
|---|---|
AUR_014_teaser_v01.mp4 |
Primeiro corte |
AUR_014_teaser_v03.mp4 |
Terceira rodada |
AUR_014_teaser_v07.mp4 |
Master 16:9 aprovado |
AUR_014_teaser_v07_9x16.mp4 |
Vertical da v07 |
AUR_014_teaser_v07_legendado.mp4 |
v07 com legenda |
AUR_014_teaser_v07_sem-trilha.mp4 |
v07 sem trilha |
AUR_015_teaser-15s_v02.mp4 |
Versão de 15 segundos |
AUR_021_evento_2026-03-12_v01.mp4 |
Aftermovie, com data |
Sufixo de entrega, versão reduzida e data
O sufixo vai depois da versão, e só quando o arquivo é diferente do corte principal: formato de tela (9x16, 1x1, 4x5), legendado, sem-trilha, sigla de idioma. O corte principal não leva sufixo. Se todo arquivo carregasse _16x9_master_h264, ninguém leria além do segundo sublinhado.
É na versão reduzida que as equipes mais discordam. A regra que funciona melhor é dar número próprio para tudo que tem rodada de revisão própria.
Uma versão de 15 segundos que o cliente aprova separado vira AUR_015, com a sua própria v01 e v02. Se ela fosse um sufixo do AUR_014, “v02” ia querer dizer dois arquivos diferentes, dependendo de quem responde.
Data só entra quando faz parte do vídeo, como no aftermovie de um evento ou num post com dia marcado para sair. Escreva no formato AAAA-MM-DD.
Assim os arquivos ficam em ordem na pasta e ninguém lê errado, porque 03-12-2026 é 3 de dezembro aqui e 12 de março para um cliente americano. A data também não substitui a versão, já que dois exports na mesma tarde continuam precisando de dois nomes.
Tire o “final” do nome do arquivo
Quando um arquivo se chama final, o export seguinte tem que virar final2, final_agora_vai ou FINAL_FINAL, e dali em diante algum desses nomes está mentindo.
Aprovação é status, e status se registra onde você acompanha o trabalho, seja na ferramenta de revisão ou na planilha de produção. O arquivo aprovado é a v07 e continua sendo a v07. O que muda é a anotação de quem aprovou a v07 e quando.
Vale o mesmo para novo, corrigido, ok, cliente e nome de gente, que ficam verdadeiros por poucos dias.
Com a versão numerada, também fica claro quando um projeto chegou na v09, e é bom perceber isso cedo. Tem mais sobre isso em como acabar com as rodadas infinitas de revisão.
Espaço, acento e caractere estranho
Letra minúscula sem acento, número, hífen e sublinhado funcionam em qualquer lugar. Aqui é mais conselho prático do que regra.
- Espaço vira %20 em link e atrapalha script de linha de comando.
- Acento e cedilha costumam funcionar no computador onde o arquivo nasceu e às vezes se perdem no caminho, num zip ou no Windows do cliente. Um
lançamento.mp4pode chegar comolançamento.mp4. - Barra, dois-pontos, interrogação e “&” são reservados ou dão problema em pelo menos um sistema operacional.
“lancamento” sem cedilha fica meio estranho de ler, e mesmo assim é melhor do que um arquivo que abre com o nome quebrado. As maiúsculas do código do cliente não atrapalham, porque você escolhe uma vez e elas não mudam.
Um nome só, em todo lugar
O padrão só ajuda se o mesmo nome aparecer em todo lugar por onde o vídeo passa. Defina o nome quando o trabalho é criado e repita em:
- A pasta do projeto no HD,
AUR_014_teaser. - O projeto e a sequência principal no Premiere ou no DaVinci.
- Todo export, com a versão no fim.
- O assunto do e-mail e o começo da mensagem no WhatsApp, tipo “AUR_014 teaser, v03 para revisão”. A mensagem que vai junto com o link de revisão também leva o código.
- A lista de entregáveis.
No fim do trabalho, a lista de entregáveis usa os mesmos nomes. Uma linha por arquivo, com o código, a versão aprovada e o sufixo, para quem vai subir no servidor do cliente ou na emissora conferir sem abrir nada:
AUR_014_teaser_v07.mp4AUR_014_teaser_v07_9x16.mp4AUR_014_teaser_v07_legendado.mp4AUR_015_teaser-15s_v03.mp4
Tem cliente que exige um padrão próprio para o que recebe. Peça esse padrão antes de começar e coloque a referência dele depois do seu código. As suas pastas continuam em ordem e todo arquivo que o cliente recebe chega com a referência que ele procura.
Como isso funciona no RecReview
No RecReview, toda tarefa de um cliente ganha um código automático, formado pelo código do cliente e um número sequencial: MSH_001, MSH_002 e assim por diante.
O código do cliente é aquele código curto que você define ao cadastrar o cliente. A numeração é por cliente e nunca se repete, nem quando uma tarefa é cancelada, e a tarefa fica com o mesmo código para sempre.
A versão é numerada à parte. Cada arquivo que sobe numa tarefa vira a próxima versão dela, v1, v2, v3, na ordem em que chega, e dá para tocar duas versões lado a lado para ver o que mudou.
O código também ajuda na hora do upload. Escolha um arquivo cujo nome comece com o código de uma tarefa e a janela de upload já seleciona essa tarefa.
Com uma pasta monitorada no app do Mac, você nem abre a janela. O app espera o export terminar, sobe o arquivo, e o RecReview coloca o arquivo como a próxima versão da tarefa daquele código.
Ele só reconhece nomes que começam com o código de um dos seus clientes, então um arquivo que só parece um código não cai na tarefa de outro vídeo.
Quando alguém baixa uma versão, o arquivo sai com o código e o título da tarefa no nome, sem acento e com sublinhado no lugar dos espaços. A página de controle de versões mostra o resto de como versões e comparações funcionam.






