O corte vai na terça para uma última olhada. Na quinta já está no Instagram do cliente, com trilha provisória e tudo, e o boleto do saldo, aquele que vencia “na entrega”, ficou para depois.
Ninguém roubou nada, a rigor. O cliente tinha um arquivo com cara de final, e depois de publicado não havia motivo para correr e pagar por outro.
Quase toda produtora passa por isso uma vez. A solução é parte técnica e parte papelada, e a papelada resolve mais do que parece.
Em resumo
- Nenhuma ferramenta impede a gravação de tela, então o que você controla é quando o master limpo sai da produtora.
- Marca d’água e cópia em baixa ajudam nas primeiras rodadas e atrapalham quando o cliente avalia a imagem final.
- O link de revisão precisa separar assistir de baixar, com data de validade e, se for o caso, senha.
- O contrato faz a maior parte: sinal, saldo na aprovação, licença com o pagamento integral e publicação conta como aprovação.
O que dá e o que não dá para controlar
Tudo o que toca numa tela pode ser gravado, com o gravador de tela que já vem no notebook ou com um celular apontado para o monitor. Os serviços de streaming gastam muito para dificultar isso e mesmo assim não conseguem impedir de todo, e nenhuma marca d’água ou ferramenta de revisão vai conseguir.
O que está ao seu alcance é mais modesto. O master limpo, o arquivo em resolução cheia com a mixagem final e a trilha licenciada, só sai da produtora quando o trabalho está pago ou formalmente aprovado.
Tudo o que o cliente assiste até lá é cópia de revisão, e o contrato diz isso. Se alguém baixar antes da hora, você fica sabendo no mesmo dia, e não quando dá de cara com o vídeo publicado.
Marca d’água protege, mas atrapalha
A marca d’água gravada na imagem é a resposta mais antiga. “RASCUNHO” ou “PARA APROVAÇÃO” atravessando o quadro, às vezes o nome do cliente, muitas vezes o timecode queimado.
Uma cópia com uma marca no meio da imagem não serve para publicar, e o timecode ainda ajuda na revisão, porque o comentário volta como “em 01:12:04” e não como “aquela parte depois do drone”.
O preço é que a marca fica em cima da imagem que o cliente precisa avaliar. Num corte de estrutura e história, ninguém liga. Numa rodada de cor ou de GC ela atrapalha, e cliente incomodado com a marca d’água comenta a marca d’água.
Uma marca pequena no canto incomoda menos, mas também sai fácil num recorte.
Dá para equilibrar com uma marca grande e semitransparente nas primeiras rodadas, uma menor depois que o corte trava e nenhuma na versão que o cliente aprova, que ele assiste num link sem download.
A marca entra na sua exportação. No Premiere, as opções Image Overlay e Timecode Overlay ficam em Effects, nas configurações de exportação, e no DaVinci Resolve o mesmo trabalho é feito na janela Data Burn-In.
Cópia em baixa resolução
O outro truque antigo é mandar em 720p, ou um 1080p com bitrate baixo. Sobe e toca mais rápido, e ninguém quer esse arquivo no telão do evento de lançamento.
Protege menos do que parece. Muito vídeo de rede social é visto no celular, onde 720p fica bom, então a cópia em baixa não segura um cliente decidido a postar.
E ela esconde o que o cliente precisa conferir nas últimas rodadas, como foco mole, banding num degradê ou a letra miúda de uma cartela. Mande em baixa nos primeiros cortes e em qualidade cheia quando o cliente for aprovar a imagem.
Link só para assistir, com validade
O link de revisão precisa tratar assistir e baixar como permissões separadas. Link de transferência, pasta do Drive ou link do Dropbox são download por definição. Um clique e o arquivo está no notebook do cliente, e você perde o controle sobre para onde ele vai depois.
No link de revisão, o cliente assiste no navegador e comenta no frame (o básico está em como enviar vídeo para o cliente revisar e aprovar), e o download fica desligado até você decidir o contrário.
Duas configurações apertam mais. Uma data de validade casada com o prazo de retorno evita que o link fique para sempre na caixa de entrada de alguém, e uma senha ajuda quando o link tem tudo para ser encaminhado pela empresa do cliente.
Quando a rodada fecha, ou quando o seu contato sai da empresa, derrube o link antigo e mande um novo.
A regra do pagamento vai no contrato
O contrato faz mais do que qualquer configuração, porque define o que o cliente deve antes de alguém abrir um arquivo. Quatro cláusulas resolvem a maior parte:
- Sinal na contratação, para a produtora nunca trabalhar inteiramente fiado.
- O saldo vence na aprovação da versão final, que é também quando o master sai. Se preferir segurar o master até o dinheiro cair na conta, escreva isso.
- A licença de uso do vídeo começa com o pagamento integral. Até lá, o cliente tem cópias de revisão, só para uso interno.
- Publicar uma cópia de revisão conta como aprovação, e o saldo vence no mesmo dia.
Defina também o que conta como aprovação: o botão no link de revisão, um e-mail ou o silêncio depois de um certo número de dias. O post sobre cliente que demora para aprovar trata dessa cláusula e de como cobrar o retorno sem virar chato.
E peça para quem cuida dos seus contratos revisar a redação, porque cláusula de licença e de direito autoral tem detalhe que vale acertar com quem entende.
A cláusula quatro é a que muda o comportamento. Cliente que sabe que o boleto chega no dia em que o vídeo vai ao ar costuma esperar o arquivo final.
Como isso funciona no RecReview
O RecReview não coloca marca d’água nos vídeos e não prende o cliente a uma cópia em baixa. O player de revisão se ajusta à conexão e pode tocar o arquivo original, então o cliente avalia a imagem de verdade. Se você quer marca nas versões de revisão, coloque na exportação antes de subir.
O que o RecReview faz é separar assistir de baixar. O link de revisão não tem chave de download. Na página de revisão, o botão de baixar só aparece para a sua equipe, para quem subiu o vídeo e para os contatos do cliente que podem aprovar, e o cliente só vê esse botão depois de aprovar a versão.
No portal do cliente, o vídeo pode ser baixado quando a tarefa é marcada como entregue, ou seja, quando está num status de concluída e, se você usa fases, na fase final. A exceção, nos dois lugares, é “Permitir download antes da aprovação”, que você liga cliente a cliente.
Nos fluxos prontos, a aprovação do cliente já move a tarefa para Entregue, então é na aprovação que o arquivo sai. Mande a cobrança do saldo no mesmo dia e deixe a cláusula de licença cobrir o intervalo até o pagamento.
Por padrão, qualquer contato do cliente que se identificou pode aprovar e baixar. Ligue os papéis de contato e só o gestor do cliente aprova e baixa a entrega final, enquanto o revisor comenta e pede alteração.
Quem se identifica pela primeira vez num link de revisão entra como revisor, e você escolhe o papel de quem chega sozinho pelo link do portal.
Se um cliente baixar uma versão antes de a tarefa ser entregue, o download fica no histórico daquele contato, e donos e administradores recebem um aviso dizendo quem baixou antes da aprovação. O link de revisão pode ter senha e data de validade, e gerar um link novo corta o acesso de quem tinha o antigo.




