Toda produtora que grava vídeo institucional já tem uma tela de teleprompter guardada, mesmo sem chamar assim. É o iPad do escritório, ou aquele tablet Android que sobrou de um evento.
Com ele embaixo de um vidro inclinado, ou só ao lado da lente, e alguém rolando o texto num notebook, dá para gravar quase toda entrevista e todo vídeo de porta-voz.
Como escrever o roteiro e como o apresentador deve ler já estão no nosso guia sobre como ler no teleprompter com naturalidade. Aqui o assunto é o equipamento.
Em resumo
- Com vidro, o texto tem que estar espelhado, e com tela solta ao lado da lente, não.
- Conte uns 30 cm de distância por polegada de tela, então um tablet de 10 polegadas serve para o apresentador a uns 3 metros.
- Use brilho no máximo, letra clara em fundo preto, bloqueio automático desligado, carregador na tomada e Não Perturbe ligado.
- Teleprompter no navegador precisa de internet em cada tela, então teste a rede da locação ou leve o celular para rotear.
- Com várias telas, ajuste o espelho e o nome tela por tela.
Vidro na frente da lente ou tela ao lado
Tem dois jeitos de usar o tablet, e um pede o contrário do outro.
Com vidro, o tablet fica deitado, de tela para cima, embaixo de um vidro semi-espelhado (o beam splitter) inclinado a 45 graus na frente da lente. O apresentador lê o reflexo olhando direto para a câmera. Como o reflexo inverte o texto, essa tela tem que estar espelhada.
Os fabricantes costumam vender o vidro de teleprompter como 70/30, ou seja, uns 70% da luz passam para a lente e uns 30% voltam para quem lê. Perder 30% da luz custa cerca de meio ponto na câmera, então abra o diafragma ou reforce um pouco a luz.
Como tela solta, o tablet vai num braço articulado ou num suporte pequeno logo acima ou abaixo da lente, sem vidro e sem espelho. A montagem é mais rápida, e é o arranjo natural para entrevista em que a pessoa responde para alguém sentado ao lado da câmera.
Antes de comprar um rig, confira o maior aparelho que ele aceita, com capinha e tudo. E trave a rotação da tela antes de montar, porque tablet deitado não sabe qual lado é para cima, e um esbarrão no tripé pode virar a imagem.
Tamanho da tela, distância e tamanho da letra
A regra prática da Autocue, fabricante de teleprompter, é um pé de distância (uns 30 cm) para cada polegada de tela. Um tablet de 10 polegadas funciona com o apresentador a uns 3 metros, e um celular de 6 polegadas, a pouco menos de 2 metros.
Mais perto que isso, o olho passeia pelas linhas e a câmera percebe. Mais longe, a letra precisa crescer.
Letra maior quer dizer menos palavras por linha e menos linhas na tela, e é aí que o celular aperta. Num tamanho que se lê a quase 2 metros, ele mostra poucas palavras por linha, e o apresentador vive perto do fim do que consegue enxergar.
Para um vídeo curto gravado de perto, o celular resolve. Para um bloco inteiro de roteiro, o tablet é bem mais confortável.
A margem lateral encurta a linha sem mexer no tamanho da letra, o que ajuda quando a tela é grande e está perto de quem lê. Acerte o tamanho com o apresentador sentado no lugar dele, na distância real, porque no notebook sempre parece bom.
Brilho e reflexo
Brilho no máximo e brilho automático desligado. Dentro do capuz, o sensor de luz acha que está escuro e baixa a tela, e com vidro quem lê já está vendo um reflexo com só uma parte da luz dela.
Use letra clara em fundo preto. Pixel preto quase não emite luz, então o vidro reflete só as letras, enquanto o fundo branco enche o capuz de uma luz que pode acabar entrando na lente.
O capuz, aquele tecido em volta do vidro, também impede que as luzes atrás da câmera batam no vidro. Faça um quadro de teste no enquadramento mais aberto da diária, porque a borda do capuz pode aparecer nos cantos.
Com tela solta, repare nos óculos do apresentador. Um tablet claro ao lado da lente aparece como um retângulo branco em cada lente dos óculos. Baixe o brilho até sumir, ou incline a tela um pouco para baixo.
Tela acesa e sem notificação
Tablet que apaga no meio do take custa o take. No iPad, vá em Ajustes > Tela e Brilho > Bloqueio Automático e escolha Nunca.
No Android, o tempo limite da tela, dentro de Tela, pode parar em 10 ou 30 minutos conforme a marca, e a opção Permanecer ativo, nas Opções do desenvolvedor, mantém a tela acesa enquanto o aparelho carrega.
Deixe na tomada, seja qual for o app. Tablet com brilho no máximo a diária inteira descarrega mais rápido do que parece, e trocar um aparelho fechado dentro do capuz dá trabalho. Um cabo comprido ou um power bank preso no rig resolve.
Por último, ligue o Não Perturbe (Foco, nos aparelhos da Apple). Uma notificação de WhatsApp descendo por cima do roteiro no meio de uma frase basta para perder um take bom.
Navegador ou app, com ou sem Wi-Fi
Os apps instalados no tablet muitas vezes funcionam offline, e muitos aceitam controle Bluetooth ou pedal, para o próprio apresentador rolar o texto. Servem bem para quem grava sozinho, ou para locação sem sinal.
O teleprompter no navegador não pede instalação. O tablet abre um link, outra pessoa comanda a rolagem pelo notebook, e qualquer aparelho que aparecer na diária entra como segunda ou terceira tela. O porém é que ele precisa de internet.
Na locação, teste a rede antes de o apresentador chegar. Wi-Fi de hotel e de evento costuma ter uma página de login que precisa ser aceita em cada aparelho, e ninguém quer descobrir isso com o tablet já fechado no capuz.
Rotear a internet de um celular com bom sinal é um ótimo plano B, já que o que trafega é texto e comando de rolagem, não vídeo.
Um notebook, várias telas
Quem rola o texto deve ficar num notebook com teclado de verdade e, se der, vendo a imagem da câmera, para saber que o apresentador começou a falar sem esperar um sinal com a cabeça.
Uma segunda tela compensa em dois casos. Um é o monitor de chão (o confidence monitor dos eventos), com o mesmo texto no piso ou ao lado da câmera, para quem anda pelo palco ou fala de um púlpito.
O outro é a segunda posição de câmera. Se o apresentador fala para o plano aberto num bloco e para o fechado no seguinte, cada câmera precisa da sua tela, e muitas vezes uma está no vidro e a outra está solta.
Por isso o espelho tem que ser ajustado tela por tela. Dê nome a cada uma, para o operador saber qual é a “Câm B” quando alguma coisa der errado.
Como isso funciona no RecReview
No RecReview, quem opera abre o teleprompter pelo plano de gravação, no notebook, e é a única pessoa que faz login. O tablet lê um QR code ou abre um link curto no navegador, sem app e sem login.
O botão “Abrir nesta máquina” abre uma tela no próprio notebook, para um monitor ligado por cabo.
Cabem até 10 telas por sessão. Cada uma pode ser renomeada, espelhada ou desconectada separadamente, então o tablet do vidro fica espelhado e o monitor de chão, não.
Tela nova começa sem espelho, e o aparelho lembra o nome e o espelho para a próxima diária, a não ser que o link tenha sido aberto numa janela anônima.
Todas as telas mostram letra branca em fundo preto, e tamanho, margem, negrito e alinhamento valem para todas de uma vez. Um toque na tela do apresentador não faz nada, então um dedo distraído não para o texto.
Quem opera dá play e pausa na barra de espaço e muda a velocidade pelas setas do teclado. A prévia no notebook assume o formato da tela do apresentador, então as linhas quebram no mesmo lugar que para ele.
Ao lado, dá para acompanhar até quatro câmeras ou janelas compartilhadas, com medidor de nível nas fontes que têm áudio.
Toda tela precisa de internet, porque se conecta pelo servidor do RecReview, e não direto no notebook. A vantagem é que tablet e notebook não precisam estar na mesma rede, então um pode ficar no Wi-Fi do local e o outro na internet roteada do celular.
Se a conexão cair, aparece “reconectando…” no canto, a tela tenta de novo sozinha e, quando volta, retoma de onde o operador está.
Não existe modo offline, então locação sem sinal nenhum pede um plano B. A página do teleprompter tem o resto.





