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Planilha de orçamento de produção audiovisual: modelo com exemplo

Um modelo de planilha de custos para vídeo, separado por etapa, e um exemplo preenchido com a conta fechando. Por que edição, rodadas de alteração e contingência devem sair dos seus jobs anteriores.

Samuel Silva20 de outubro de 2026 · 9 min de leitura
Horas de uma pessoa no período, dia a dia, e onde o tempo foi, por tarefa e fase

Na produtora, “orçamento” quer dizer duas coisas. Uma é a planilha de custo, com as diárias da equipe, o aluguel de equipamento, a trilha e as horas de ilha.

A outra é o valor da proposta, que é esse custo com margem e imposto por cima, vendido como preço fechado, diária ou fee mensal.

Este texto trata da planilha de custo. Valor da hora, margem e formatos de cobrança estão no post sobre quanto cobrar por edição de vídeo.

A gravação costuma sair certa na planilha, porque a locadora manda orçamento e o técnico de som tem diária fechada. O que estoura são as linhas que ninguém orça para você, como a edição, as rodadas de alteração e as horas no telefone com o cliente.

Esses números saem do seu histórico ou do chute, e o chute quase sempre fica baixo.

Em resumo

  • A planilha de custo é o que o job custa para a produtora, e a proposta põe margem e imposto por cima.
  • Calcule a hora interna com uma parte do aluguel, do software e do equipamento, e não pelo salário puro.
  • Estime edição e rodadas pela mediana de três a cinco jobs parecidos, com as rodadas numa linha própria.
  • Deixe a contingência numa linha só, no fim, com o percentual tirado dos seus últimos estouros.
  • No exemplo, chutar a pós em vez de medir deixa R$ 1.650 fora de uma planilha de R$ 15.400.

O modelo

Copie a tabela para uma planilha. Quantidade vezes custo unitário dá o total, e a coluna de observações diz de onde veio cada número. Quando um job mostrar que faltou uma linha, acrescente.

Linha Qtd. Unidade Custo unit. Total Observações
Pré-produção
Roteiro hora Roteirista ou produtor
Horas de produção hora Agenda, ligações, ordem do dia
Seleção de elenco item Produtora de elenco, testes
Visita técnica diária Deslocamento e horas do produtor
Autorizações de filmagem item Zero se não precisar
Gravação
Equipe, uma linha por função diária Direção, câmera, som, elétrica
Aluguel de equipamento diária Câmera, lentes, luz, áudio
Locação diária Contar montagem e desmontagem
Cachê de elenco diária Cachê e período de uso
Deslocamento item Combustível, passagem, hotel
Alimentação pessoa Equipe e cliente no set
Seguro item Equipamento e responsabilidade civil
Pós-produção
Edição até o primeiro corte hora Mediana dos jobs anteriores
Rodadas de alteração rodada Horas por rodada × rodadas
Correção de cor hora
Mixagem hora
Trilha licenciada item Conferir a licença de uso
Motion e GC hora GC, cartelas, assinatura
Legendas hora Por idioma
Gestão do projeto hora Ligações, e-mails, uploads, aprovação
Contingência % Pelo histórico de estouros

Como preencher as colunas

Use a unidade em que o fornecedor cobra.

  • Equipe e equipamento costumam vir por diária, então meia diária entra como inteira, salvo se o contrato disser outra coisa.
  • A pós entra em horas, porque é em horas que você vai medir depois.
  • Licença, autorização e seguro são itens.

Para quem é da casa, o custo unitário é quanto uma hora daquela pessoa custa para a produtora, com o salário mais uma parte do aluguel, do software e do equipamento. Com o salário puro, o trabalho interno parece mais barato que o do freelancer, e muitas vezes não é.

Para freelancer e locadora, use o orçamento recebido e anote a data, porque um valor de seis meses atrás pode não valer mais.

A coluna de observações se paga no job seguinte. “Mediana de quatro institucionais, de fevereiro a junho” diz a quem abrir a planilha quanto confiar no número. “Chute” também vale como observação, desde que esteja escrito.

Onde a planilha erra: horas de pós e de rodada

A gravação entra na planilha com o orçamento do fornecedor na mão, e a edição entra de memória, quase sempre a memória do job que correu liso. As rodadas ficam com o que sobra, muitas vezes numa linha chamada “ajustes”, com uma noite de trabalho dentro.

Pegue os últimos três a cinco projetos parecidos com o novo (mesmo tipo de vídeo e duração próxima, de preferência do mesmo cliente) e levante as horas de cada etapa. Use a mediana.

Com a média, o job que deu tudo errado infla todas as estimativas, e o melhor job da lista faz tudo parecer mais curto do que é.

Dê às rodadas de alteração uma linha própria, contada em rodadas. Descubra quanto tempo a sua equipe leva numa rodada desse tipo de vídeo e multiplique pelo número de rodadas da proposta.

A planilha passa a bater com o que você prometeu ao cliente, e quando ele pedir a quarta rodada você já sabe quanto ela custa. Como segurar esse número é assunto do post sobre rodadas de alteração sem fim.

A gestão do projeto é o outro ponto cego. Ligação para alinhar comentário e o vai e vem até a aprovação não aparecem em nota de fornecedor nenhuma, e somam horas em todo job. Meça essas horas como mede a edição.

Contingência pelo seu histórico de estouros

A contingência paga o que dá errado dentro do escopo combinado, como uma câmera que pifa na manhã da diária ou um entrevistado que chega duas horas atrasado e joga a equipe para a hora extra.

Roteiro novo do cliente é mudança de escopo e ganha orçamento novo.

Deixe a contingência numa linha só, no fim da planilha. Se cada linha ganha uns 10% por baixo do pano, depois ninguém sabe dizer se as estimativas estavam certas, e a gordura vai embora sem ninguém ter decidido gastar.

Para chegar no percentual, compare o orçado com o custo real dos últimos projetos. Se eles fecharam entre 5% e 12% acima, uns 10% cobrem a maioria.

Se um estourou 40%, descubra qual linha fez isso antes de subir o percentual. Quase sempre é a pós, e o conserto vai nessa linha.

Um exemplo preenchido

Um institucional de dois minutos, com uma diária no escritório do cliente, duas pessoas da produtora no set, um técnico de som freelancer e duas rodadas incluídas.

A hora interna custa R$ 150, o custo por hora da produtora do post de precificação, então uma diária de 10 horas sai por R$ 1.500. As horas de pós e de gestão são medianas de três jobs parecidos.

Todos os valores foram inventados para mostrar a conta, e nenhum é preço de mercado.

Linha Qtd. Unidade Custo unit. Total
Roteiro 8 hora R$ 150 R$ 1.200
Horas de produção 6 hora R$ 150 R$ 900
Autorizações (escritório do cliente) 0 item R$ 0 R$ 0
Equipe da produtora no set 2 diária R$ 1.500 R$ 3.000
Técnico de som 1 diária R$ 1.000 R$ 1.000
Aluguel de câmera e luz 1 diária R$ 800 R$ 800
Deslocamento e estacionamento 1 item R$ 200 R$ 200
Alimentação 5 pessoa R$ 40 R$ 200
Seguro 1 item R$ 200 R$ 200
Edição até o primeiro corte 16 hora R$ 150 R$ 2.400
Rodadas de alteração (4 horas cada) 2 rodada R$ 600 R$ 1.200
Correção de cor 3 hora R$ 150 R$ 450
Mixagem 3 hora R$ 150 R$ 450
Trilha licenciada 1 item R$ 200 R$ 200
Motion e GC 4 hora R$ 150 R$ 600
Legendas 2 hora R$ 150 R$ 300
Gestão do projeto 6 hora R$ 150 R$ 900
Subtotal R$ 14.000
Contingência 10 % R$ 1.400
Custo total R$ 15.400

O job custa R$ 15.400 para a produtora, e o preço da proposta é montado em cima disso.

Agora faça o mesmo job com a pós no chute: 10 horas de edição e uma noite, 3 horas, para “ajustes”. São 11 horas a menos que as medianas, R$ 1.650 fora da planilha.

A contingência de R$ 1.400 não cobre a diferença, e qualquer imprevisto na diária sai direto da margem.

Como tirar as horas do RecReview

O RecReview não guarda valor de hora, custo nem orçamento, então a planilha continua sendo sua. Ele entrega as horas, lançadas enquanto o trabalho acontece.

O timer roda numa tarefa ou num vídeo. Cada pessoa tem um timer ativo por vez, e começar outro fecha o anterior. Toda sessão numa tarefa guarda a fase em que ela estava, como pré-produção, produção ou pós-produção.

Donos e administradores veem os totais nas Métricas. Filtre por um cliente ou por um projeto, escolha o período, e um gráfico agrupa as horas por cliente, projeto, fase ou pessoa.

Em outra visão ficam a média de horas por vídeo, as horas de pós-produção por vídeo e as horas gastas contra as estimadas, em que 100% quer dizer no alvo.

Uma lista à parte ordena os vídeos com mais comentários e mostra por quantas versões cada um passou, o que dá uma ideia de quantas rodadas os jobs daquele cliente costumam levar.

Cada tarefa pode ter uma estimativa, com quanto dela já foi usado. A barra fica âmbar depois de 80% e vermelha quando a tarefa estoura.

Ao definir a estimativa, o RecReview sugere um valor pela mediana das horas lançadas nas outras tarefas do mesmo projeto. Mais detalhes nas páginas de controle de horas e de métricas.

Horas de pós por vídeo, tiradas dos seus próprios jobs.

No RecReview, cada sessão de timer guarda a fase da tarefa, e as Métricas mostram as horas por cliente, projeto, fase ou pessoa, as horas de pós por vídeo e o gasto contra o estimado.

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Perguntas frequentes

O que entra num orçamento de produção de vídeo?

Todo custo do job, separado por etapa. Na pré-produção, roteiro, horas de produção, elenco, visita técnica e autorizações. Na gravação, diárias da equipe por função, equipamento, locação, cachês, deslocamento, alimentação e seguro. Na pós, edição, rodadas de alteração, cor, mixagem, trilha, motion e legendas. Depois vêm a gestão do projeto e uma linha de contingência. Cada linha tem quantidade, unidade, custo unitário, total e uma observação dizendo de onde veio o número.

Quanto de contingência colocar no orçamento de vídeo?

O percentual sai do seu histórico. Compare o orçado com o custo real dos últimos projetos: se a maioria fechou até 10% acima, 10% de contingência dá conta. Deixe a contingência numa linha só, no fim, em vez de engordar cada linha, e não use para mudança de escopo, que pede orçamento novo.

Como estimar as horas de edição no orçamento?

Use a mediana das horas de três a cinco projetos parecidos, com a edição até o primeiro corte separada das rodadas de alteração e da gestão. As rodadas entram numa linha própria: as horas de uma rodada vezes o número de rodadas da proposta.

O RecReview monta a planilha de orçamento?

Não. O RecReview não guarda valor de hora, custo nem orçamento. Ele fornece as horas. O timer de cada tarefa guarda a fase de cada sessão, e as Métricas, para donos e administradores, mostram as horas por cliente, projeto, fase ou pessoa, as horas de pós-produção por vídeo e o gasto contra o estimado.

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