Picture lock é o ponto da pós-produção em que a edição para de mudar. A ordem dos planos, o frame exato de cada corte e a duração total ficam definidos, e daí em diante cor, mixagem, trilha, GCs e legendas são finalizados em cima desse corte.
Muita produtora fala em corte travado ou em fechar o corte. O termo vem do cinema, e num trabalho para cliente “travou” quase sempre quer dizer que o cliente aprovou a edição.
Em resumo
- Picture lock é o ponto em que a ordem dos planos, os pontos de corte e a duração param de mudar.
- Cor, mixagem, trilha, GCs, legendas e exportações são feitos em cima do corte travado, então um corte depois disso custa horas de várias pessoas.
- Uma pessoa só, do lado do cliente, aprova o lock, depois que todo mundo que precisa ver o corte assistiu.
- Ponha o lock na proposta e orce qualquer mudança que mexa num corte antes de alguém abrir a timeline.
Por que o picture lock importa fora do cinema
Num institucional ou num filme publicitário, toda a finalização se apoia na timeline. O colorista trabalha plano a plano a partir da timeline que o editor exporta. A trilha é editada nos pontos de corte, e a mixagem é feita em cima deles.
A legenda é sincronizada no frame, o GC entra numa fala específica e a cartela final cai junto com a última batida da música.
Agora imagine que o cliente pede para tirar três segundos em 0:42. Toda legenda depois desse ponto fica três segundos atrasada. A trilha dá um pulo onde estava o corte e precisa ser reeditada, a mixagem do trecho é refeita, os GCs depois de 0:42 mudam de lugar, e cada versão exportada é renderizada e assistida de novo.
O editor resolve o corte em dez minutos, e o resto pode tomar quase um dia.
Antes do lock, mexer na edição custa alguns minutos do editor. Depois dele, a mesma mudança custa horas de várias pessoas, e por isso o lock precisa ser combinado com todas as letras.
Chegar a um bom corte é trabalho das rodadas anteriores, o corte bruto e o corte fino, e o guia de revisão do corte bruto fala de como conduzir essas rodadas.
Quem aprova o lock
Uma pessoa só, do lado do cliente. Outras podem comentar o corte bruto e o fino, mas uma diz “pode travar”, e é para ela que você aponta quando alguém pedir para remontar o vídeo três semanas depois. Defina quem é já na reunião de início.
Depois pergunte a essa pessoa quem mais precisa ver o vídeo antes do sim dela, como o jurídico, o diretor que aparece falando ou a filial que vai precisar de uma versão em espanhol. Todo mundo assiste à versão candidata a lock.
O jurídico é quem mais costuma chegar atrasado, e uma frase que ele manda cortar depois da mixagem arrasta junto a trilha, a mixagem e todas as exportações.
O que mandar para aprovar o lock
Mande o corte com cor e som provisórios, e avise que são provisórios. Ponha isso no nome do arquivo e na mensagem, algo como “v4, candidata a lock”. Cliente que não sabe que a cor ainda vai ser feita passa a rodada comentando o tom de pele do entrevistado.
Diga o que essa aprovação cobre: a ordem dos planos, a duração, o que cada pessoa fala e o texto na tela, com nomes, cargos e qualquer número que apareça. O visual e o som são aprovados depois, na versão finalizada. E peça uma resposta que não deixe dúvida.
Oi, Ana! Segue a v4 do vídeo de lançamento, nossa candidata a lock: [link]
É este o corte que a gente vai finalizar. Confere a ordem, a duração (1:52), o que cada pessoa fala e os nomes e cargos nos GCs? Cor, trilha e mixagem ainda são provisórias.
Se estiver tudo certo, me responde “pode travar” que a gente começa cor e som na segunda. Mudança na edição depois disso passa de novo por cor, som e legenda, então a hora de pedir é agora.
Como colocar o picture lock na proposta
Escreva antes de o projeto começar, na proposta ou no contrato. Bastam quatro pontos: o que é o picture lock, quem aprova, o que está incluído depois dele e como se cobra mudança na edição depois dele. Uma cláusula para adaptar:
O picture lock acontece quando o aprovador indicado pelo cliente confirma o corte por escrito. Depois dele, a ordem dos planos, os pontos de corte e a duração do vídeo ficam definidos. Ajustes de finalização que não alteram nenhum corte, como correção de texto nos GCs e ajustes de cor e de som, estão incluídos. Qualquer mudança que altere um corte é orçada antes de começar e inclui o retrabalho de trilha, mixagem, GCs, legendas e exportações.
Calcule esse retrabalho pelas suas horas, como uma rodada extra, e quanto cobrar por edição e produção de vídeo mostra como chegar ao valor da hora. A cláusula combina com o limite de rodadas de revisão na mesma proposta. E peça para quem cuida dos seus contratos revisar o texto.
O que ainda pode mudar depois do lock
Mudança que deixa todos os cortes no mesmo frame é finalização. Ajuste de cor e de som entra aí, e também erro de digitação num GC ou numa legenda, logo trocado pelo arquivo final e plano provisório substituído pelo definitivo com a mesma duração.
Mudança que mexe num corte é mudança de edição. Tirar uma pausa, usar outro take da mesma fala, inverter dois planos, incluir um plano de produto e regravar uma frase do locutor estão nesse grupo. O último pega muita gente de surpresa, porque uma leitura nova quase nunca tem a mesma duração da antiga.
Quando o cliente pede “só um cortezinho”
Costuma vir depois da mixagem, de alguém que está vendo o vídeo pronto pela primeira vez. Veja quanto custam aqueles três segundos em 0:42 quando as quatro versões já foram exportadas, em horas de exemplo.
| O que é refeito | Horas |
|---|---|
| Corte na edição e nova exportação para revisão | 0,5 |
| Reedição da trilha em volta do corte | 1 |
| Mixagem do trecho e stems novas | 1,5 |
| Legendas ressincronizadas depois de 0:42 | 0,5 |
| GCs conferidos e reposicionados | 0,5 |
| Quatro exportações e uma passada inteira | 2 |
| Total | 6 |
A R$ 200 a hora, o valor do exemplo do nosso post sobre preço, o cortezinho sai por R$ 1.200 e empurra a entrega em um dia. Diga que sim, e mande o custo e a data nova por escrito antes de alguém abrir a timeline:
Oi, Ana! Dá para tirar esses três segundos, sim. Como o corte foi travado na v4, a mudança passa também por trilha, mixagem, legendas e pelas quatro exportações, umas seis horas de trabalho. Fica em R$ 1.200, e a entrega passa de quinta para sexta. Posso seguir?
Às vezes existe um caminho mais barato, como aplicar o corte só numa versão para rede social que ainda não foi finalizada. E se o problema for seu, um flash frame ou o take errado de uma fala, corrija sem cobrar.
Como marcar o picture lock no RecReview
O RecReview não tem um botão de picture lock. O lock fica no número da versão e numa coluna do seu quadro.
Cada corte que você sobe na tarefa vira a próxima versão numerada, então o corte travado tem um nome que todo mundo usa, como “o lock é a v4”. Quando sobe uma versão mais nova, as anteriores fecham para comentários e a caixa de comentário leva para a mais recente.
Com a v5 de volta da cor e da mixagem, coloque a v5 e a v4 lado a lado na comparação. As duas tocam sincronizadas, e dá para ver se os planos trocam no mesmo momento.
Para um ajuste depois disso, como o GC corrigido da v6, sobreponha a v6 à v5 e ligue a Diferença. Os pixels iguais ficam pretos e só o que mudou acende.
Para o lock em si, crie um status Corte travado nas configurações do workspace e mova o card para lá quando o cliente confirmar o corte. Uma automação pode criar as subtarefas de finalização, como cor, mixagem e legenda, quando um card entra nessa coluna.
Deixe o botão Aprovar do cliente para a versão finalizada. No RecReview, a aprovação é o aval final. Ela registra quem aprovou qual versão e quando, manda o e-mail de entrega com o link de download e, com as automações padrão, leva a tarefa para Entregue.
Com os papéis de contato ligados, só o gestor do cliente aprova. Se o cliente aprovar pelo WhatsApp ou numa reunião, alguém da equipe registra o veredito naquela versão, com o canal por onde ele chegou.
O post sobre prova de aprovação do cliente mostra o que esse registro precisa ter. A página de controle de versões mostra mais sobre a comparação.





