O copião é a hora mais barata de achar um problema na gravação. A locação ainda está reservada, o elenco ainda está por perto, e refazer um plano amanhã custa um encaixe no cronograma, e não uma diária nova.
Duas semanas depois, na ilha, o mesmo close fora de foco custa uma regravação ou um remendo no corte. Por isso quem pode assiste ao material toda noite.
Em resumo
- Copião (dailies, ou rushes no Reino Unido) é o material de uma diária, preparado para assistir antes da próxima chamada.
- Diretor, diretor de fotografia, produção e edição procuram coisas diferentes, e o cliente normalmente espera os melhores takes.
- Em cada plano, confira foco, exposição, som, flicker, continuidade, cobertura e metadados.
- Escreva cada observação com o nome do clipe, o timecode de origem e uma decisão: fica, regrava ou resolve na pós.
O que é o copião
Copião é o material de uma diária, pronto para assistir naquela noite ou na manhã seguinte. No filme, isso era revelar o negativo durante a madrugada. No digital, é uma esteira curta que começa quando o cartão sai da câmera.
O DIT ou o logger copia os cartões com checksum, para dois lugares, antes de alguém formatar, como no nosso post sobre estrutura de pastas. Depois alguém sincroniza o som direto e gera arquivos leves para revisão.
Esses arquivos levam a LUT do projeto, para o diretor ver o look aprovado no set, e trazem o nome do clipe e o timecode de origem gravados na imagem. O post sobre gestão de LUTs explica por que a LUT precisa ser o mesmo arquivo em todo lugar.
Quem assiste ao copião e o que cada um procura
Todo mundo assiste ao mesmo material por um motivo diferente, então ajuda saber quem confere o quê:
- O diretor olha a interpretação e escolhe os takes que ficam.
- O diretor de fotografia olha foco, exposição, enquadramento e movimento de câmera.
- A produção compara o que foi gravado com a decupagem e o cronograma e decide se cabe regravar.
- O editor ou o assistente de edição confere sincronismo, metadados e se a cobertura corta.
- O som, quando não tem ninguém da equipe de som, fica com o editor, de fone.
O cliente normalmente não vê o copião bruto. O look é provisório, o som não está mixado, e um take com tropeço preocupa quem não sabe que ele nunca vai entrar no corte. Mande os melhores takes ou uma primeira montagem, com uma linha explicando o que ele está vendo.
Checklist do copião
Passe por estas sete conferências em cada plano, numa tela decente e de fone:
- Foco. No close, os olhos estão nítidos. Tela de celular esconde foco mole, então assista em tamanho grande.
- Exposição. As altas luzes do rosto e da janela não estouraram, e as sombras não afundaram no ruído.
- Som. Sem clipping, sem lapela raspando na roupa, sem geladeira ou ar-condicionado por baixo do diálogo, e todo take com som sincronizado.
- Flicker. Painel de LED, lâmpada fluorescente e tela em quadro podem piscar em algumas velocidades de obturador.
- Continuidade. Objeto de cena, mãos, cabelo e figurino batem entre os takes que o editor pode cortar.
- Cobertura. Cada plano da decupagem tem pelo menos um take bom, incluindo os inserts de que ninguém lembra até a edição.
- Metadados. Nome do clipe, cena e take batem com o boletim de câmera e o de som, para o editor achar as coisas.
Como mandar um retorno que se resolve até de manhã
Uma boa observação de copião diz onde, o quê e o que fazer. “O take 3 ficou meio estranho” não leva a nada. Isto leva a uma decisão:
A012_C004, 14:22:10:05: close fora de foco. O take 5 serve de reserva, não precisa regravar.
A014_C002, 15:01:33:12: lapela raspando na fala. Gravar a fala solta amanhã antes do almoço.
B007_C011: take bom da entrada.
Use o nome do clipe e o timecode de origem, não o tempo do player de revisão, que costuma contar do começo do arquivo. O post sobre timecode na imagem mostra como pôr os dois no quadro.
Termine cada observação com uma decisão: fica, regrava ou resolve na pós. A produção lê as linhas de regravação, o editor lê os takes bons, e ninguém precisa traduzir nada.
Combine um prazo antes da próxima chamada e mande a lista de regravação para a produção naquela noite. Se o diretor assiste de longe, um link de revisão com prazo funciona melhor que uma sessão ao vivo em fusos diferentes.
Como isso funciona no RecReview
O RecReview não foi feito para guardar o material bruto da câmera. O limite é de 2 GB por arquivo no Creator, 5 GB no Pro e 10 GB no Studio, então os cartões vão para HD e os arquivos do copião vão para revisão.
O app do RecReview para Mac sobe sozinho os arquivos da noite. Aponte uma das Pastas Monitoradas para a pasta onde o copião é exportado, escolha Sempre criar tarefa nova e defina cliente e projeto. Cada arquivo de vídeo pronto sobe quando para de crescer por 15 segundos.
Todos os planos têm usuários ilimitados, então diretor e diretor de fotografia podem entrar como membros. Quem mais precisar abre o link de revisão sem criar conta, digita nome e e-mail, e cada comentário sai com o nome da pessoa, no frame em que ela clicou.
Para marcar um take, aperte I e O nos pontos de entrada e saída, e o comentário cobre o trecho inteiro, um jeito rápido de separar o take bom.
O relógio do player conta a partir do primeiro frame do arquivo, e não do timecode da câmera. Mantenha o nome do clipe e o timecode de origem gravados na imagem do copião, para um comentário em 00:01:12 ainda levar o editor ao clipe original.
Subir a diária como uma sequência única facilita a revisão, em vez de quarenta links separados. Depois, quem é do workspace baixa todos os comentários como marcadores para Premiere ou DaVinci Resolve, numa timeline que começa em 00:00:00:00 e casa com a sequência da diária.
Em dia de entrevista, qualquer pessoa da equipe gera a transcrição na aba Transcrição, e a busca do app encontra vídeos pelo que alguém falou neles.






