Seis meses depois da entrega, o cliente pede a entrevista bruta para montar uma versão curta para o Instagram.
A edição foi feita no notebook de um freela, o material ficou num HD que já foi formatado para outra diária, a trilha veio de uma pasta no servidor e o logo foi arrastado da pasta Downloads de alguém. Uma pessoa perde o dia reconectando mídia e a fonte continua sem aparecer.
Organizar pasta é a parte chata da pós, por isso fica sempre para depois, e a conta costuma chegar num job que outra pessoa editou. Com o mesmo modelo em todo job, qualquer um da equipe abre um projeto que nunca viu e acha o que precisa.
Em resumo
- Use uma pasta por cliente, uma por job dentro dela e as mesmas pastas numeradas em todo job.
- Copie cada cartão para dois HDs e confira as duas cópias antes de formatar.
- Não renomeie nem mova mídia depois de importar, e deixe tudo o que a edição usa dentro da pasta do job.
- Exports de revisão e masters finais ficam em pastas separadas.
- No fim do job, apague o que dá para refazer e guarde duas cópias do arquivo morto, uma fora da produtora.
Um modelo de pastas para copiar
Uma pasta por cliente, uma pasta por job dentro dela e as mesmas pastas numeradas em todo job:
Aurora/
2026_institucional/
00_admin/
01_brutos/
2026-03-12/
A001/
A002/
B001/
2026-03-13/
do-cliente/
banco-de-imagens/
02_audio/
som-direto/
locucao/
efeitos/
03_grafismos/
logos/
fontes/
gc-e-cartelas/
04_trilha/
licencas/
05_projeto/
06_exports/
revisao/
final/
07_entrega/
Com os números, a ordem alfabética vira a ordem em que o trabalho acontece, em qualquer computador. Os nomes ficam curtos, em minúsculas, sem espaço e sem acento (“revisao”, e não “revisão”), pelos motivos do post sobre nome de arquivo.
Se o job é um vídeo só, a pasta pode levar o código dele, como sugere aquele post. Numa campanha com vários vídeos, ela leva o nome do job, e o código no começo de cada arquivo separa os vídeos.
Guarde uma cópia vazia do modelo e duplique quando um job começar. Apps como o Post Haste, da Digital Rebellion, montam as pastas a partir de um modelo e já preenchem o nome do job.
O que vai em cada pasta
A 00_admin guarda a papelada: briefing, roteiro, proposta, plano de gravação, autorizações de uso de imagem e a lista de entregáveis. Ela leva o zero porque existe antes do primeiro frame.
A 01_brutos é organizada por diária e, dentro dela, por cartão. A001 é o primeiro cartão da câmera A, B001 é o primeiro da câmera B. Se a câmera dá nome aos próprios rolos, use o mesmo nome, para a pasta e o metadado do clipe baterem.
O que o cliente manda (vídeo de celular, campanha antiga, gravação de tela) vai em do-cliente, e o que foi licenciado vai em banco-de-imagens. Isso faz diferença dois anos depois, quando alguém pergunta se aquele take foi gravado por vocês ou veio do cliente.
A 02_audio segue a mesma lógica, com o som direto por diária, a locução e os efeitos. A 03_grafismos tem logos, fontes, GCs, cartelas e os projetos de After Effects ou Motion que geram tudo isso.
A 04_trilha deixa cada música do lado da licença, que é onde alguém vai procurar quando o cliente perguntar se a trilha pode rodar em mídia paga.
A 05_projeto é da edição. O Premiere, na configuração padrão, cria as pastas de auto-save e de preview ao lado do arquivo do projeto, e uma pasta só para ele mantém isso longe da mídia. O DaVinci Resolve guarda os projetos num banco de dados próprio, então exporte um .drp para essa pasta no fim de cada dia.
Copie cada cartão duas vezes antes de formatar
Copie cada cartão para dois HDs diferentes, confira as duas cópias e só então formate. O material corre mais risco entre o cartão e a primeira cópia.
Um app de backup de cartão que compara checksum faz a conferência por você: OffShoot (o antigo Hedge), ShotPut Pro e o Clone Tool da página Media do DaVinci Resolve servem. Arrastar o cartão no Finder copia os arquivos, mas não compara a cópia com o original.
Copie o cartão inteiro, com a estrutura de pastas, e não só os arquivos de vídeo. Algumas câmeras dividem takes longos em vários arquivos e guardam metadado em arquivos separados, e o programa de edição precisa da estrutura original para remontar o clipe.
Regras para a mídia não cair
Não renomeie nem mova mídia depois que ela entrou no projeto. O Premiere e o Resolve guardam o caminho de cada arquivo, e um arquivo renomeado no Finder volta como mídia offline.
Se um clipe precisa de nome melhor, renomeie no bin, que muda o nome do clipe e deixa o arquivo como está. Qualquer reorganização acontece antes de importar.
Mantenha uma pasta por job e copie para ela tudo o que a edição usa, inclusive o logo que já veio na campanha do ano passado. Projeto que puxa fonte de um HD e trilha de outro abre bem na máquina de quem editou e quebra em qualquer outra.
Com tudo debaixo de uma pasta, levar o job para outro HD é reconectar uma vez, no topo. Passar o job para um freela vira compartilhar essa pasta, e não o servidor inteiro, como a gente sugere no post sobre contratar editor freelancer.
Revisão longe da final
A 06_exports/revisao guarda todo corte que vai para revisão, em H.264 leve. A 06_exports/final guarda só os masters aprovados.
Quando os dois dividem a mesma pasta, cedo ou tarde uma cópia de revisão sai como final, ou um master em ProRes sobe para revisão (o post sobre a pasta monitorada do Media Encoder mostra quanto tempo de upload isso custa). A pasta já diz qual arquivo é o final, então a palavra fica fora do nome.
A 07_entrega é uma cópia exata do que o cliente recebeu, do jeito que foi enviado. O que entra nesse pacote está no post sobre a entrega final.
Arquive o job quando ele acabar
Fechado o prazo de ajustes depois da entrega, tire o job do HD de trabalho. Apague o que dá para refazer, como renders, cache e proxies.
Guarde os brutos da câmera, o áudio, os grafismos, as fontes, as trilhas com as licenças, o projeto, os masters finais e a pasta de entrega. Se a licença da fonte não deixa copiar o arquivo, guarde uma lista com os nomes.
O Project Manager do Premiere e o Export Project Archive do Resolve juntam num lugar só a mídia que o projeto usa, se os arquivos se espalharam mesmo assim.
Deixe um arquivo de texto no topo da pasta do job com as versões dos programas, os plugins e o lugar de cada cópia do arquivo morto. Depois faça duas cópias, em dois HDs diferentes, e guarde uma delas fora da produtora. Quanto tempo cada parte fica guardada você combina com o cliente e repete no e-mail de entrega.
Como isso funciona no RecReview
O RecReview não monta essa estrutura nem cria as pastas do job no seu HD ou no Google Drive.
No app, um job é um projeto dentro de um cliente, e cada vídeo é uma tarefa com um código feito do código do cliente e de um número sequencial, como AUR_014. Comece o nome de todo export com esse código e o HD e o app passam a apontar para o mesmo vídeo.
O app do RecReview para Mac tem pastas monitoradas, e você pode adicionar a pasta de revisão do job e escolher o cliente e o projeto dela.
O app só pega arquivos que estão direto na pasta adicionada, não em subpastas, então adicione a revisao, e não a 06_exports. Ele espera cada render terminar e sobe o arquivo.
Um arquivo cujo nome começa com o código de uma tarefa vira a próxima versão dela, desde que o prefixo seja o código de um dos seus clientes. Um arquivo sem código é casado pelo nome e, se nada bater, vira uma tarefa nova naquele cliente e projeto.
Se o job mora num HD externo, conecte o HD antes de abrir o app. Uma pasta ausente quando o app abre só é monitorada depois que você reabre o app.
Cada versão fica na sua tarefa, numerada na ordem em que chegou, e dá para assistir a duas lado a lado. O link de revisão também pode mostrar as versões anteriores ao cliente, e ninguém precisa de uma pasta compartilhada com as versões da v1 à v7.
Quando o cliente voltar um ano depois, a busca acha o vídeo pelo código, título, cliente, projeto ou por uma frase da transcrição, e o código diz qual pasta abrir no arquivo morto. Os brutos, o projeto e o arquivo morto continuam nos seus HDs.





