Quem aparece no vídeo institucional quase sempre foi escolhido pelo que sabe. É a gerente de RH gravando as boas-vindas para quem acabou de ser contratado, ou o gerente da fábrica explicando a regra nova de segurança.
A pessoa topou numa reunião semanas atrás e desde então torce para a gravação cair. No dia, entra numa sala cheia de luz, vê uma lente e quatro pessoas olhando, e a voz sobe meio tom.
Luz e enquadramento têm um guia próprio, e ler no teleprompter também. Aqui o assunto é ajudar quem não é ator a sair no vídeo parecendo ele mesmo.
Em resumo
- Boa parte do nervoso vem de não saber o que vai acontecer, e quinze minutos de ligação alguns dias antes resolvem muito disso.
- Monte o texto com as frases que a pessoa já usa, ou dê três ou quatro tópicos em vez de um roteiro para decorar.
- Escolha entre entrevista e fala para a câmera pessoa por pessoa, e não por projeto.
- No dia, deixe pouca gente na sala, grave desde o primeiro take e comece toda nota pelo que funcionou.
- Se a pessoa continua dura no TP, troque por perguntas e deixe o TP para as frases que precisam sair exatas.
Uma ligação curta alguns dias antes
Boa parte do nervoso vem de não saber o que vai acontecer. Quinze minutos de ligação com quem vai aparecer, alguns dias antes, resolvem muito disso. Fale com a própria pessoa, e não só com o contato do marketing.
Passe por quatro pontos:
- Para que serve o vídeo e quem vai assistir. Vídeo para quem acabou de entrar não tem o tom de um recado ao conselho.
- O que ela vai falar ou o que você vai perguntar. Se for entrevista, mande os temas e guarde as perguntas para o dia. Se for texto para a câmera, avise que o roteiro chega antes e que dá para trocar qualquer frase que não soe como ela.
- Como vai ser o dia: onde, a que horas, por quanto tempo e quem vai estar na sala. Diga que os primeiros takes são aquecimento e que ninguém espera que fiquem bons.
- O que vestir. Cor lisa, uma roupa que ela usaria numa reunião importante e uma segunda opção na bolsa. O checklist de pré-produção tem o resto.
No fim, pergunte se ela já gravou antes e como foi. Quem teve experiência ruim com equipe de filmagem costuma contar, e aí você sabe onde pisar com cuidado. Em depoimento de cliente a conversa serve para achar a história, assunto do post de perguntas para depoimento.
As palavras dela no lugar de texto decorado
Pedir para quem não é ator decorar o roteiro é o caminho mais curto para um vídeo duro. Lembrar o texto ocupa toda a atenção, e a pessoa pensa na próxima palavra em vez de no que quer dizer. Quando esquece uma frase, o take inteiro vai junto.
Monte o texto a partir do jeito que ela já fala. Na ligação, peça para explicar o assunto como explicaria para um colega novo e anote as frases que saem sozinhas. Uma frase que ela nunca diria numa reunião, do tipo “seguimos empenhados em potencializar sinergias”, vai soar errada por mais que ela ensaie.
Para muita gente, tópicos funcionam melhor que texto corrido. A pessoa conhece o assunto e só precisa da ordem. Três ou quatro tópicos, mais a frase que precisa sair exata, como um número ou uma linha do jurídico, costumam render mais que uma página lida palavra por palavra.
Se a frase nova mexe em número ou promessa, passe por quem aprovou o roteiro antes de gravar.
Entrevista ou fala para a câmera, pessoa por pessoa
Na entrevista, a pessoa responde às perguntas de alguém sentado ao lado da lente, e a voz de quem pergunta sai na edição. Na fala para a câmera, ela conversa com quem assiste olhando para a lente, quase sempre com TP.
A escolha é por pessoa, e não por projeto. Quem conta bem uma história quando alguém pergunta, mas fica formal quando ouve “agora apresenta”, rende mais na entrevista, porque responder pergunta é o que ela faz todo dia.
Quem gosta de estrutura, ou precisa anunciar algo exato como uma regra nova, tende a ficar mais tranquilo com o texto na frente.
Um vídeo com vários colaboradores pode misturar os dois formatos, desde que cada pessoa fique num só.
Na dúvida, planeje a fala para a câmera e leve umas perguntas no bolso. Trocar o roteiro por perguntas no dia é fácil. O caminho inverso é bem mais difícil.
No dia, pouca gente e começo devagar
Deixe pouca gente na sala. Quem não trabalha naquele take espera do lado de fora, inclusive o contato do cliente, que acompanha por um monitor fora da vista da pessoa.
Colega de trabalho é a plateia mais difícil, porque amanhã eles almoçam juntos. Feche a porta e, se a sala tem parede de vidro para o corredor, grave de costas para ela.
Converse antes de gravar. Enquanto a lapela vai para a roupa, puxe assunto sobre o time dela ou o projeto. A pessoa relaxa falando do que conhece, e você ouve a voz normal dela.
Grave desde o primeiro take e explique: “Vamos fazer uns dois para aquecer.” Não é raro o take dois ser um dos melhores do dia, porque ela acha que ainda não está valendo.
Deixe água por perto, fora do quadro, porque o nervoso seca a boca. Pare uns minutos quando a voz apertar ou os ombros subirem.
Como dar nota entre takes sem derrubar a pessoa
Comece pelo que funcionou, e seja específico. “O jeito que você explicou a segunda etapa ficou certinho, mantém” convence. Um “ótimo!” depois de um take que todo mundo sabe que foi ruim avisa a pessoa de que você está administrando o humor dela.
Depois, uma mudança só, dita como coisa a fazer. O guia do teleprompter mostra como formular a nota e quando não vale parar o take.
Nunca comente o take com o cliente na frente da pessoa. Duas pessoas cochichando perto do monitor parecem má notícia, seja qual for o assunto. Nota do cliente vem para você, e você repassa o que importa.
Quando pedir mais um take, dê um motivo que não seja veredito. “Mais um, quero um pouco mais fechado” ou “passou um barulho lá fora” deixa a pessoa tentar de novo sem sentir que errou.
Pense duas vezes antes de mostrar o playback para quem está nervoso. Pouca gente gosta de se ver, e assistir aos primeiros takes costuma piorar os seguintes. Se a pessoa pedir, mostre um que ficou bom.
Quando largar o teleprompter
Tem gente que lê bem no TP depois de dois takes. Tem gente que nunca vai ler. O olho corre pelas linhas, a voz fica reta, e o quarto take não sai melhor que o primeiro.
O sinal mais claro é a pessoa que fala solta no intervalo e endurece no instante em que o texto começa a rolar.
Quando isso acontecer, troque sem drama. Diga que muita gente fala melhor sem texto, sente ao lado da lente e faça as perguntas que levam a cada parte do roteiro. O TP fica para as frases que precisam sair exatas, como um número ou o nome de um produto, gravadas como trechos curtos à parte.
Entrevista dá ao editor mais material e mais emendas para esconder, então leva mais tempo na ilha e pede uma segunda câmera ou imagens de cobertura. Avise o cliente antes de encerrar a diária.
Como isso funciona no RecReview
No RecReview, o teleprompter abre a partir do plano de gravação, e cada bloco de vídeo recebe o texto quando você escolhe. “Usar o roteiro da tarefa” traz o roteiro mais recente sem GC, direção de câmera nem nome de quem fala, e “Digitar texto” deixa você escrever o seu, que pode ser só os quatro tópicos e a frase exata.
Se a pessoa quiser dizer alguma coisa do jeito dela, você edita o texto ali mesmo e a mudança chega em todas as telas.
As telas entram por QR code ou link, sem login, e cada uma tem o seu espelho. Quem opera controla a rolagem e a velocidade pelo notebook, então o texto espera enquanto a pessoa pensa, e acerta tamanho da letra, margem, negrito e alinhamento no mesmo lugar.
A tela de quem lê mostra quanto do bloco já passou e quanto falta, pela estimativa do roteiro.
Para dar uma nota no meio do take, o operador digita até 120 caracteres e o recado aparece em letra grande, numa faixa âmbar embaixo da tela do apresentador, até ser tirado. Você escreve cada recado na hora, como “Muito bom, um pouco mais devagar aqui”.
Com o timer ligado, dá ainda para esconder o texto e deixar só o timer grande, para quem fala de memória e precisa caber no tempo. A página do teleprompter tem o resto.





