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Como gravar vídeo falando para a câmera no escritório do cliente

O setup mínimo para gravar depoimento ou vídeo falando para a câmera numa sala de reunião: fundo, enquadramento e olhar, luz com três fontes ou janela, som primeiro, câmera, segundo ângulo e checklist antes do REC.

Samuel Silva7 de outubro de 2026 · 7 min de leitura
Tela do apresentador com o roteiro, a seta da linha de leitura e o tempo decorrido e o que falta do bloco
Player de revisão com o recorte 9:16 e a área de título de 90% desenhados sobre um quadro 16:9

Quase todo vídeo de porta-voz que uma produtora grava acontece longe de estúdio. É numa sala de reunião do cliente, reservada das 9h ao meio-dia, com parede de vidro, um ar-condicionado cujo controle ninguém acha e um CEO que tem 40 minutos entre duas reuniões.

O equipamento precisa caber num carro e ainda ficar melhor que uma webcam.

Este é o mínimo que a gente levaria para essa sala. Como o apresentador lê o roteiro está no guia sobre ler no teleprompter com naturalidade, e o tablet com vidro tem um post só dele.

Em resumo

  • Escolha o canto com mais profundidade atrás da pessoa e nunca a ponha de costas para a janela.
  • Decida se a pessoa fala com a lente ou com um entrevistador, e mantenha um jeito por vídeo.
  • Três painéis de LED, ou uma janela de lado e dois painéis, iluminam a maioria dos escritórios.
  • Resolva o som primeiro, com lapela, um shotgun de reserva e a sala em silêncio.
  • Ajuste a câmera no manual, com o obturador no dobro da taxa de quadros, e grave um segundo ângulo para a edição.

Escolha o canto pela profundidade

Dê uma volta pela sala antes de abrir as cases. Num escritório, o melhor fundo costuma ser a maior distância que cabe no quadro, na diagonal até um canto ou olhando para um corredor, com a pessoa bem longe da parede. Essa distância deixa o fundo desfocar e tira a sombra dela da parede.

Nunca ponha ninguém de costas para a janela. Ou a câmera expõe para o vidro e o rosto fica escuro, ou expõe para o rosto e a janela estoura.

Parede de vidro reflete as luzes e a equipe, então grave em ângulo com ela ou deixe o vidro atrás da câmera.

Tire de cena os cabos e o quadro branco com números meio apagados. Um abajur ou uma planta alguns passos atrás da pessoa dão profundidade.

Enquadramento, olhar e onde vai o teleprompter

Decida com quem a pessoa fala. No vídeo falando para a câmera, como a mensagem do CEO ou uma aula de curso, ela olha para a lente e fala com quem assiste.

No depoimento ou na entrevista, ela responde para alguém sentado ao lado da câmera, e o olhar passa rente à lente. Os dois funcionam, mas misturar no mesmo vídeo parece erro.

O que perguntar num depoimento de cliente está nas perguntas para vídeo depoimento.

Texto roteirizado para a câmera pede teleprompter na frente da lente, para o olhar ficar no vidro.

Na entrevista, sente o entrevistador com a cabeça colada à lente, na mesma altura, porque quanto mais perto dela o olhar passa, mais direta a resposta parece. Deixe o espaço livre do quadro do lado para onde a pessoa olha.

Câmera na altura dos olhos, porque lente olhando de baixo mostra queixo demais. Um primeiro plano, do meio do peito para cima, é um bom começo, com os olhos perto da linha do terço de cima e pouco respiro acima da cabeça.

Marque com fita no chão onde ficam os pés da cadeira, porque cadeira anda de um take para o outro.

Se a lista de entregáveis tem versões verticais, enquadre pensando nelas agora. O recorte 9:16 de um quadro 16:9 é uma faixa estreita no meio, onde a entrevista clássica, com a pessoa num dos lados, não cabe.

Três luzes, ou uma janela e duas

Três painéis de LED dão conta da maioria dos escritórios:

  • A luz principal fica de um lado da câmera, mais ou menos a 45 graus da linha do nariz da pessoa e um pouco acima dos olhos, suavizada com difusor.
  • O preenchimento vai do outro lado, mais fraco, ou um rebatedor branco faz esse papel.
  • O contraluz fica atrás da pessoa, alto e de lado, e desenha uma borda fina no cabelo e nos ombros.

A janela pode ser a luz principal, desde que fique ao lado da pessoa, nunca atrás. Nuvem passa, então confira a exposição entre os takes.

Apague as luzes do teto se der. Elas iluminam de cima para baixo, o que afunda os olhos, e a cor quase nunca bate com a dos seus painéis.

Se ficarem acesas, ajuste os painéis para a cor delas e faça o balanço de branco no manual. Com óculos, suba a luz principal ou leve mais para o lado até o reflexo sair das lentes.

O som vem primeiro

Um plano levemente fora de foco passa muito antes de um zumbido embaixo da voz do CEO, então resolva o som antes de terminar a luz.

Use dois microfones. A lapela, presa no peito a cerca de um palmo da boca, dá a voz próxima e limpa. Escute se o paletó ou o colar raspam no microfone.

Um shotgun numa vara de boom ou num pedestal, logo acima do quadro e apontado para a boca, grava em outro canal como reserva. Se a lapela pegar o atrito da camisa no melhor take, o editor troca para o shotgun naqueles segundos.

Depois, silencie a sala. Desligue o ar-condicionado durante os takes e ligue de novo no intervalo. Tire o frigobar da tomada e ponha um aviso na porta.

Celular no modo avião, inclusive o do apresentador, porque o aparelho no bolso pode zumbir no microfone sem fio.

Fique de fone fechado a diária inteira e grave 30 segundos de som ambiente com todo mundo parado, para o editor cobrir os buracos.

Ajustes da câmera e o segundo ângulo

Exposição, balanço de branco e foco no manual. Siga a regra dos 180 graus, com o obturador no dobro da taxa de quadros (1/60 a 30 quadros, 1/50 a 25).

Luz de LED e fluorescente de escritório pode piscar na imagem quando o obturador não combina com a frequência da rede. No Brasil, onde a rede é de 60 Hz, use 1/60 ou 1/120, e a 24 quadros prefira 1/60 ao 1/50 da regra.

Abra o diafragma o bastante para desfocar o fundo e confira o foco no olho mais próximo, com zoom no monitor.

A segunda câmera se paga na edição. Com um ângulo só, cada tropeço e cada resposta encurtada vira um jump cut, aquele pulo no meio da frase. Com dois, o editor cobre o corte com a outra câmera.

Ponha a câmera B num plano mais fechado e a pelo menos 30 graus da A, a regra de sempre para o corte não pular. Iguale taxa de quadros, obturador, balanço de branco e perfil de imagem nas duas e sincronize por timecode ou por uma palma no começo de cada take.

Se o apresentador lê para a câmera A pelo teleprompter, a B mostra a pessoa lendo para outro lugar. Deixe a B fechada e use para cobrir cortes, não para parágrafos inteiros.

Checklist antes do REC

Antes do primeiro take e depois de cada intervalo:

  1. Celulares no modo avião, ar-condicionado desligado, aviso na porta.
  2. Teste de som no volume real do apresentador, ouvindo os dois canais atrás de atrito e zumbido.
  3. Enquadramento com as guias do monitor ligadas, olhando as bordas e o recorte vertical.
  4. Foco com zoom e balanço de branco manual nas duas câmeras.
  5. Claquete, ou identificação falada e uma palma, para o editor sincronizar e achar o take.
  6. Dez segundos de teste revistos no fone, para pegar imagem piscando ou lapela que escorregou.

Se a diária tem vários vídeos, o cronograma da gravação precisa de tempo para as trocas de set entre eles.

Como isso funciona no RecReview

No RecReview, a diária é um plano de produção, e cada vídeo é um bloco que traz junto a tarefa e o roteiro.

O teleprompter abre desse plano, no notebook, e a tela do apresentador mostra o tempo decorrido e o que falta do bloco, estimado pelo roteiro.

As telas entram por QR code ou link, sem login. Cada uma tem o seu espelho, e tela nova começa sem espelho, então o tablet embaixo do vidro fica espelhado e uma tela ao lado da câmera, lida direto, não.

Ao lado do texto, quem opera acompanha até quatro fontes: câmeras ligadas ao notebook, por uma placa de captura HDMI, por exemplo, ou uma janela compartilhada, como a chamada de vídeo com alguém do cliente.

Cada fonte mostra um medidor de nível quando tem áudio e pode ir para tela cheia para conferir o foco. O painel não toca o som, então o fone fica no gravador.

Depois da gravação, o player de revisão desenha as guias das áreas seguras de ação e de título (93% e 90% do quadro), a grade de terços e um recorte de entrega por vez, em 9:16, 4:5, 1:1 ou 16:9.

A tecla G mostra as áreas seguras e, apertada de novo, esconde as guias. Com o 9:16 ligado, dá para ver se a entrevista se sustenta na versão vertical. A página do teleprompter tem o resto.

As câmeras ficam à vista no mesmo notebook do teleprompter.

No RecReview, quem opera o teleprompter acompanha até quatro câmeras ou janelas ao lado do texto, com medidor de nível nas fontes com áudio, e cada tela perto da lente tem o seu próprio espelho.

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Visão de quem opera com os dois ângulos de uma entrevista, aberto e fechado, e o medidor de áudio

Perguntas frequentes

Que equipamento eu preciso para gravar vídeo falando para a câmera?

Uma câmera no tripé na altura dos olhos, um microfone de lapela com um shotgun de reserva, fone fechado, três painéis de LED com difusor (ou uma janela e dois painéis) e fita para marcar a cadeira no chão. Segunda câmera e teleprompter vêm em seguida, a primeira para facilitar a edição e o segundo para quem fala um roteiro olhando para a lente.

A pessoa olha para a câmera ou para o entrevistador?

Para a câmera quando fala com quem assiste, como numa mensagem do CEO ou numa aula de curso. Para o entrevistador quando é depoimento ou entrevista. Escolha um jeito por vídeo e sente o entrevistador com a cabeça o mais perto possível da lente, na mesma altura, para o olhar passar rente a ela.

Qual velocidade de obturador usar para gravar entrevista?

O dobro da taxa de quadros, pela regra dos 180 graus: 1/60 a 30 quadros, 1/50 a 25. Com luz de LED ou fluorescente de escritório, acerte o obturador com a frequência da rede para a imagem não piscar. No Brasil a rede é de 60 Hz, então use 1/60 ou 1/120, e a 24 quadros prefira 1/60.

Como conferir o enquadramento para as versões verticais?

Ligue a guia de 9:16 no monitor durante a montagem e deixe a pessoa perto do centro, com espaço dos dois lados. No RecReview, o player de revisão desenha o recorte 9:16, 4:5, 1:1 ou 16:9 sobre o vídeo, junto com as áreas seguras de ação e de título, para conferir cada plano depois da gravação.

Sua próxima produção, inteira num lugar só.

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