O roteiro do vídeo explicativo passou na segunda rodada. O animador gastou oito dias nos primeiros 40 segundos, e o primeiro comentário do cliente no corte foi que ele imaginava o produto bem maior na tela, com os três números entrando um de cada vez.
O roteiro não dizia o contrário. Ele descrevia o que ia aparecer, e o cliente leu e imaginou outra coisa.
O storyboard põe essa imagem no papel antes de alguém começar a produzir. Uma dúzia de quadros rabiscados, com a frase da locução embaixo de cada um, teria pegado os dois comentários numa ligação de dez minutos.
Em resumo
- Faça storyboard quando a imagem é decidida antes e sai caro mudar depois, como em motion, animação e revelação de produto.
- Cada quadro leva número, plano, ação, áudio, texto de tela e segundos, com locução e texto copiados do roteiro.
- Boneco de palitinho e foto da visita técnica bastam, porque o quadro só precisa mostrar onde as coisas estão e de que tamanho.
- Com planos de três a cinco segundos, um vídeo de 60 segundos dá de 12 a 20 quadros.
- A aprovação cobre a ordem dos planos, o que tem em cada um, o texto de tela e o tempo aproximado, e deixa enquadramento exato e cor para a edição.
Quando o storyboard compensa e quando não precisa
O storyboard vale a pena quando a imagem é decidida antes e mudar depois sai caro. Motion e animação são o caso mais claro, porque cada quadro é feito à mão e mudança tardia quer dizer refazer.
No mesmo grupo entram o comercial com revelação de produto, o plano que depende de um movimento de câmera ensaiado ou de um efeito e qualquer cena em que o cliente precise aprovar como o produto ou uma pessoa aparece.
Entrevista, depoimento, evento e a maioria dos vídeos com alguém falando para a câmera não precisam. Ninguém sabe as respostas antes da gravação, e as imagens saem do que acontece na diária.
Nesses casos, o roteiro em duas colunas diz o que se vê e o que se ouve, e a decupagem técnica transforma isso nos planos que a equipe tem que fazer.
Muito trabalho fica no meio do caminho. Um institucional de entrevistas com 15 segundos de abertura animada só precisa de quadros para a abertura. Desenhe as sequências difíceis de explicar em palavras e deixe o resto com o roteiro.
O que vai em cada quadro
| Campo | O que vai nele |
|---|---|
| Quadro | 1, 2, 3, com letra quando um plano tem mais de um quadro (4A, 4B). Vira o número do plano na decupagem |
| Imagem | Desenho, foto ou rascunho de layout, dentro de uma caixa na proporção final |
| Plano | Enquadramento e movimento: PG, PM, PP (close), PD (detalhe); fixo, aproximação, pan. O movimento também entra como seta na imagem |
| Ação | O que acontece no quadro, numa linha |
| Áudio | A locução ou a fala que toca por cima, mais as deixas de trilha e efeito |
| Texto | O texto de tela exatamente como vai aparecer: GC, números, cartela final |
| Segundos | Tempo na tela, medido lendo a locução em voz alta ou repassando a ação |
Copie a locução e o texto de tela do roteiro aprovado, sem redigitar. Quando o storyboard e o roteiro trazem duas versões da mesma frase, o cliente aprova a que leu por último.
Não precisa desenhar bem
Boneco de palitinho resolve. O quadro tem que mostrar onde as coisas estão e de que tamanho, e uma bolinha no lugar da cabeça, dentro de uma caixa na proporção certa, faz isso.
Desenhe a caixa primeiro, em 16:9 ou 9:16 conforme a entrega, depois a linha do horizonte, depois o assunto. Setas mostram movimento, da câmera ou de quem está no quadro.
Foto muitas vezes funciona melhor que desenho. As fotos da visita técnica, tiradas de onde a câmera vai ficar, já mostram a sala de verdade. Ponha alguém da equipe no lugar do apresentador, fotografe com o celular na altura da lente, e o cliente entende o quadro sem precisar imaginar nada.
Frame tirado de um filme ou comercial de referência ajuda com clima e composição. Escreva REF num canto de cada um, para ninguém achar que aquele é o elenco ou a locação que você está fechando.
Em motion, caixas cinza e formas provisórias no programa de design bastam, desde que o texto dentro delas seja o texto de verdade.
Um modelo de storyboard para copiar
O layout mais comum é uma página na horizontal com duas fileiras de três quadros, seis por página. Cada quadro é uma caixa na proporção da entrega, com os campos embaixo.
Para vídeo vertical, cabem quatro ou cinco quadros estreitos por fileira. Um quadro fica assim:
+------------------------+
| |
| imagem, caixa 16:9 |
| |
+------------------------+
5 | TELA | 5 s
Horas entram do ponto
OFF: "As horas chegam
direto do relógio de ponto..."
TEXTO: nenhum
Também dá para usar o Apresentações Google, um quadro por slide, com os campos numa caixa de texto embaixo da imagem.
Se a equipe prefere planilha, o Planilhas Google põe imagem dentro da célula (Inserir > Imagem > Inserir imagem na célula), e cada linha vira um quadro, com os campos nas colunas ao lado.
Quantos quadros para um vídeo de 60 segundos
Se os planos do seu vídeo duram de três a cinco segundos, 60 segundos dão entre 12 e 20 quadros. A conta segue os planos, porque quase todo quadro representa um plano.
O plano que muda por dentro, como uma aproximação que termina em outro assunto ou um gráfico que se monta em três etapas, ganha um quadro por estado.
Motion costuma cortar mais rápido e pedir mais. Um vídeo de entrevistas só precisa de quadros para as imagens de cobertura e os gráficos.
Este é um vídeo de lançamento de 60 segundos para um aplicativo de folha de pagamento inventado, o Quitano, misturando gravação e animação de tela em 12 quadros:
| # | Imagem e texto de tela | Áudio | Seg |
|---|---|---|---|
| 1 | PG: o escritório de madrugada, Rosa acende as luzes | Trilha entra. OFF: “O dia do pagamento começava às seis da manhã.” | 5 |
| 2 | PP, aproximação lenta: três planilhas, uma calculadora, um post-it | OFF: “Três planilhas, uma calculadora e muita conferência.” | 5 |
| 3 | PM: Rosa esfrega os olhos. TEXTO: “4 horas todo mês” | OFF: “Quatro horas, todo mês.” | 4 |
| 4 | ANIMAÇÃO: as planilhas se dobram e viram o logo do Quitano | Efeito: whoosh. OFF: “Até a equipe dela mudar para o Quitano.” | 4 |
| 5 | TELA: as horas entram do relógio de ponto | OFF: “As horas chegam direto do relógio de ponto…” | 5 |
| 6 | TELA: os valores se preenchem, linha por linha | OFF: “…e cada holerite se calcula sozinho.” | 5 |
| 7 | TELA: o cursor clica em Rodar folha | OFF: “Um clique para rodar a folha.” | 4 |
| 8 | ANIMAÇÃO: um contador cai de 4:00 para 0:15. TEXTO: “De 4 horas para 15 minutos” | OFF: “Quatro horas viraram quinze minutos.” | 6 |
| 9 | PM: Rosa vai embora às cinco, acenando | OFF: “E a Rosa sai no horário.” | 4 |
| 10 | PP: um celular mostra o aviso do holerite | OFF: “Cada pessoa recebe o holerite no celular, no mesmo dia.” | 6 |
| 11 | PG: a equipe almoçando junta | Trilha sobe | 4 |
| 12 | CARTELA: logo e quitano.com.br | OFF: “Quitano. A folha em minutos.” Trilha sai | 8 |
As durações somam 60 segundos. Elas saem da leitura de cada frase em voz alta, no ritmo do locutor, mais os momentos sem fala, como o almoço e a cartela final.
A aprovação do cliente
Mande o storyboard com um recado curto dizendo o que a aprovação cobre. Aprovar o storyboard fecha a ordem dos planos, o que tem em cada um, o texto de tela e o tempo aproximado.
Não fecha o enquadramento exato, a cor nem o tempo frame a frame. Deixe isso por escrito:
A aprovação do storyboard fecha a sequência, o conteúdo de cada plano e o texto na tela. Enquadramento e tempo ainda podem mudar na edição, e se algum plano não funcionar depois de gravado, a gente avisa antes de trocar.
Assim o cliente sabe que a edição pode mexer um ou dois segundos aqui e ali, e você tem registrado que o produto aparece no quadro 7 porque ele concordou.
Acrescentar ou trocar quadro depois da aprovação é rodada nova, como mudança de roteiro, e conta nas rodadas do orçamento. O post sobre como parar de fazer rodadas sem fim trata dessa conversa.
Em animação, vale um passo a mais antes de animar: o animatic, que é o storyboard montado em cima de uma locução provisória, no tempo planejado. Ele mostra se a história cabe mesmo em 60 segundos e é a última chance barata de mexer no ritmo.
Depois, o storyboard aprovado entra no checklist de pré-produção, ao lado do roteiro aprovado.
Como isso funciona no RecReview
O RecReview não tem ferramenta de storyboard, mas um storyboard cabe em dois lugares que já existem.
O arquivo pode ficar na tarefa do vídeo como anexo: PDF, imagem ou PowerPoint de até 50 MB, um arquivo por vez, ou um link para a versão no Apresentações ou no Planilhas Google. Todo mundo do workspace consegue abrir, e o cliente não vê.
Para o cliente comentar quadro a quadro, uma galeria de fotos resolve, mesmo tendo sido feita para foto. Crie uma para o cliente e o projeto, com um título como “Storyboard, vídeo de lançamento”, e suba cada quadro como imagem JPEG, PNG ou WebP de até 40 MB.
HEIC do iPhone não entra, então exporte antes as fotos da visita técnica como JPEG. Os quadros aparecem na ordem em que subiram, não dá para arrastar e mudar a ordem, e o visualizador não mostra o nome do arquivo. Escreva o número dentro de cada imagem e suba na sequência.
O cliente passa um quadro por vez e comenta no que está na tela, desenhando com caneta, seta, retângulo ou círculo. Na tira de miniaturas, selos marcam os quadros com comentário ou versão nova.
Um quadro redesenhado sobe como versão nova da mesma imagem, sem sair do lugar, e o cliente compara com a anterior lado a lado, com a divisão ou em sobreposição.
No storyboard, deixe o botão Aprovar da galeria quieto. A galeria é uma entrega própria, com card e código no kanban. Aprovar fecha a galeria como fecha qualquer entrega: com um dos presets de automação, a tarefa dela vai para Entregue e os contatos principais do cliente recebem o e-mail de aprovação.
Peça o OK do storyboard num comentário no último quadro e guarde esse comentário como registro. Mais na página de galerias de fotos.





