Visita técnica é a ida à locação, antes da diária, de quem vai iluminar, captar o som e tocar a gravação. O nosso checklist de pré-produção diz que alguém da equipe precisa ter pisado no lugar. Este post é sobre o que conferir lá dentro e o que mandar para a equipe depois.
Vá no horário da gravação. Às 19h o escritório está vazio e escuro, e às 10h tem telefone tocando e sol entrando pela janela do leste.
Leve o diretor de fotografia ou o chefe de elétrica e o técnico de som, se o orçamento deixar. Se não deixar, vai o produtor, com celular, trena a laser, um testador de tomada e a lista do fim deste post.
Em resumo
- Vá no horário da gravação, com o diretor de fotografia ou o chefe de elétrica e o técnico de som, se der.
- Faça a conta de energia por circuito e teste a voltagem tomada por tomada.
- Anote para que lado fica cada janela, onde fica o interruptor das luzes do teto e quem manda em cada barulho.
- Faça o caminho da carga e saia com o telefone de todo mundo que abre porta no dia.
- Mande no mesmo dia um relatório de uma página, com fotos com legenda, som ambiente e pendências com nome e data.
Energia: tomadas, disjuntores e voltagem
Ache as tomadas perto de cada set e pergunte qual disjuntor alimenta cada uma. Em escritório, uma parede inteira costuma estar num circuito só, às vezes junto com a cafeteira da copa.
Fotografe o quadro de luz com as etiquetas e anote quem religa o disjuntor às 8h. Onde não há tomada perto do set, anote o comprimento do cabo e as portas no caminho.
Faça a conta por circuito, multiplicando a voltagem pela corrente do disjuntor. Um disjuntor de 10 A em 127 V aguenta 1.270 W no papel, e em 220 V, 2.200 W.
Some a potência escrita em cada refletor e deixe uma folga de uns 20%. Painel de LED consome pouco, mas um fresnel de tungstênio antigo ou o secador da maquiadora chegam perto do limite sozinhos.
A voltagem muda de cidade para cidade (127 V em São Paulo e no Rio, 220 V em Brasília) e às vezes no mesmo prédio, onde a tomada do ar-condicionado pode ser de 220 V. Teste tomada por tomada.
Carregador e a maioria das fontes de LED aceitam as duas, chapinha e secador muitas vezes não. E o plugue de 20 A, de pinos mais grossos, não entra na tomada de 10 A.
Luz: janelas, sol e as luzes do teto
Anote para que lado fica cada janela, com a bússola do celular. Em quase todo o Brasil, a janela virada para o norte pega sol direto boa parte do dia, a do leste de manhã e a do oeste à tarde, e a do sul fica com luz indireta.
Um app de trajetória do sol, como o Sun Surveyor ou o PhotoPills, mostra onde o sol vai estar no dia da gravação, bloco a bloco do seu cronograma da diária. Depois confira se a persiana fecha inteira.
Olhe para o teto e pergunte onde fica o interruptor. Muito prédio comercial liga as luzes por sensor de presença ou por um sistema central, e aí elas acendem no meio do take ou apagam quando a entrevista fica parada tempo demais.
Como lidar com a cor delas e com a imagem piscando está no nosso guia de gravação no escritório do cliente.
Barulho no horário da gravação
Pare onde a pessoa vai sentar, fique um minuto em silêncio e escute. Os suspeitos de sempre são ar-condicionado, elevador, encanamento, trânsito, impressora e obra no vizinho.
Para cada barulho, descubra quem manda nele. Split tem controle remoto.
Ar central é do prédio, e o pedido para desligar por uma manhã tem que sair com dias de antecedência. Se não toparem, procure outra sala. Pergunte também sobre obra programada e teste de alarme de incêndio.
Bata uma palma forte e escute. Se o som fica ecoando, a sala tem parede dura, vidro e piso nu, e aí ou você leva cobertores para pendurar ou escolhe outra, com carpete, cortina e móveis.
Grave um minuto de som ambiente com todo mundo parado, e outro com o ar desligado, se der, e mande os dois para o técnico de som.
Espaço, acesso e regras do prédio
Meça a sala e o pé-direito, porque tripé de luz e vara de boom precisam de altura. Veja a profundidade atrás da cadeira de quem fala.
Depois conte as pessoas, incluindo a turma do cliente em volta do monitor, e peça uma segunda sala para maquiagem, cases e o cliente. Pergunte quem autoriza mexer nos móveis.
Faça o caminho da carga, da rua até o set, como se estivesse carregando um case:
- Onde a van para, e qual a altura máxima da entrada da garagem?
- Tem elevador de serviço? Qual o tamanho por dentro, e precisa reservar?
- Onde a equipe estaciona, e quem paga?
- Em que horário o condomínio libera carga e descarga?
- A portaria pede nome e RG de todo mundo com antecedência?
- Tem cena na rua, que precise de autorização da prefeitura?
Saia de lá com o telefone de quem autorizou a gravação, de quem abre a porta às 7h, da portaria, da manutenção do prédio e do contato do cliente no dia.
O que fotografar, medir e gravar
Fotografe um plano aberto de cada posição de câmera, na altura da lente, e o contraplano a partir da cadeira de quem fala, com alguém sentado nela para dar escala. Junte:
- uma panorâmica de cada sala, para ninguém esquecer a parede atrás da câmera
- cada janela com o horário e a direção na legenda
- as tomadas e as luzes do teto
- o caminho da carga até o elevador por dentro, com a trena na foto
Meça a largura das portas e marque no mapa a entrada que vocês vão usar, porque o endereço leva à portaria social, não à doca.
O relatório da visita e um checklist para copiar
Mande o relatório no mesmo dia, enquanto você ainda sabe qual foto é de onde. Uma página basta:
- o ponto da entrada no mapa, o acesso e os contatos
- o que você achou de energia, luz e som
- as fotos com legenda e o som ambiente
- as pendências, cada uma com um nome e uma data
“A manutenção confirma até quinta se desliga o ar das 9h às 12h” é uma pendência que alguém consegue fechar.
A equipe recebe tudo, e o cliente recebe a parte que depende dele, como a lista de nomes para a portaria. As respostas vão para a ordem do dia. Em congresso ou lançamento, o checklist de vídeo de evento cobre o que muda quando a sala enche.
VISITA TÉCNICA
Endereço + ponto da entrada
Contatos: quem autorizou,
chave, portaria, manutenção
ENERGIA
[ ] Tomadas perto de cada set
[ ] Quais dividem disjuntor
[ ] Quadro: onde, quem religa
[ ] Voltagem e pino (10/20 A)
[ ] Cabo, portas no caminho
LUZ
[ ] Direção das janelas
[ ] Sol no horário da diária
[ ] Persiana, blecaute
[ ] Luz do teto, sensores
SOM
[ ] Ar: quem desliga
[ ] Elevador, encanamento
[ ] Trânsito, obra perto
[ ] Palma: tem eco?
[ ] Som ambiente, 1 min
ESPAÇO
[ ] Sala e pé-direito
[ ] Fundo atrás de quem fala
[ ] Lugar p/ equipe e monitor
[ ] Sala de maquiagem e apoio
ACESSO
[ ] Caminho da carga, doca
[ ] Altura da garagem, vagas
[ ] Tamanho do elevador
[ ] Horário de carga
[ ] Nomes e RG p/ portaria
[ ] Autorização na rua
FOTOS
[ ] Aberto + contraplano
[ ] Panorâmica de cada sala
[ ] Janelas, tomadas, quadro
[ ] Caminho da carga, elevador
Como isso funciona no RecReview
No RecReview, quem é dono ou admin guarda os locais de gravação nas configurações do workspace, cada um com nome, sigla, endereço e observações.
O plano de produção recebe um ou mais desses locais no cabeçalho, e cada local com endereço ganha um link que abre no Google Maps. Digitar um nome novo no plano já cria o local, e o endereço entra depois, pelas configurações.
As observações do local ficam nas configurações, e o link compartilhado do plano mostra só o nome (ou a sigla).
O que a equipe precisa saber na manhã da diária, como “descarga pela garagem no -1, elevador de serviço reservado até as 8h”, vai na nota do bloco Chegada da Equipe. A nota de cada bloco aparece no plano compartilhado, que abre sem login.
As fotos da visita e o som ambiente podem ir como anexo na tarefa do vídeo, um arquivo por vez, até 50 MB: foto em JPEG ou PNG, PDF, áudio em MP3 ou um ZIP com tudo.
Para um álbum maior, anexe o link da pasta compartilhada. Clicar num bloco de vídeo no plano abre a tarefa, e as fotos ficam a um clique do cronograma.





