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Taxa de utilização da equipe: como calcular e qual meta usar na produtora

Taxa de utilização é hora de cliente dividida por hora disponível. O que entra de cada lado numa produtora, um exemplo com números, metas por função e por que 100% não deixa espaço para a próxima rodada.

Samuel Silva20 de outubro de 2026 · 8 min de leitura
Dia da equipe nas Métricas: as sessões de timer de cada pessoa num relógio só, coloridas por cliente, com o total de horas do dia

Pergunte se a equipe está ocupada e você ouve duas respostas. Os editores dizem que não estão dando conta. O dono olha o faturamento do mês e se pergunta para onde foram tantas horas.

As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo, e quem desempata é a taxa de utilização, também chamada de taxa de ocupação: a parte das horas disponíveis da equipe que foi para trabalho de cliente.

Agência usa esse número para dar preço e para decidir quando contratar. Numa produtora de vídeo a definição pede alguns ajustes, porque o mês tem diária de gravação e rodada de alteração que chega quando o cliente consegue olhar.

Em resumo

  • Utilização é hora de cliente dividida por hora disponível, que é a hora paga menos feriados, férias e atestados.
  • Faixas iniciais: 70% a 80% para editor, 55% a 70% para produtor e câmera, 25% a 45% para o dono que vende.
  • Com 100% não sobra hora para a próxima rodada, a diária remarcada ou o editor de atestado.
  • Em preço fechado, rodada além do combinado mantém a utilização alta e come a margem.
  • Leia o número da equipe toda, uma vez por mês, para dar preço e contratar, nunca para fazer ranking.

A conta e o que entra de cada lado

utilização = horas de cliente
           ÷ horas disponíveis

Horas disponíveis são as horas que cada pessoa é paga para trabalhar no período, menos feriados, férias e dias de atestado. Reunião, administrativo e a tarde parada entre um job e outro continuam na conta, porque é justamente isso que o número tem de mostrar.

Trabalho de cliente é tudo o que se faz para um job específico:

Atividade É de cliente?
Diária, do carregamento à desmontagem Sim
Separar e conferir o equipamento da diária Sim
Edição, cor, mixagem, grafismo, exports Sim
Rodadas de alteração Sim
Ligação e e-mail sobre o projeto Sim
Manutenção de equipamento sem job Não
Reunião interna, backup, administrativo Não
Proposta, orçamento, reel da produtora Não

Tem caso discutível, como o deslocamento até a locação. Escolha uma regra e mantenha, para um mês dar para comparar com o outro. Como lançar as horas está em controle de horas para editor de vídeo.

Você também vai esbarrar em utilização faturável, que conta só as horas que o cliente paga. Para quem cobra por hora, os dois números são iguais. Em preço fechado eles podem se separar, como mostra a parte sobre rodadas mais abaixo.

Um exemplo com uma equipe de quatro pessoas

Pense num mês com 22 dias úteis e um feriado. Sobram 21 dias, ou 168 horas para quem trabalha 8 horas por dia.

Pessoa Disponíveis De cliente Taxa
Dono e diretor 168 59 35%
Produtor (2 dias de férias) 152 99 65%
Editor 168 126 75%
Câmera e editor (1 dia de atestado) 160 104 65%
Equipe 648 388 60%

A taxa da equipe é o total de horas de cliente sobre o total de horas disponíveis: 388 ÷ 648 dá 60%. Os 35% do dono não são problema, já que venda e gestão da empresa ocupam quase todo o resto.

Esse número vai direto para o preço. Se a produtora custa R$ 58.200 por mês, cada hora de cliente custa R$ 58.200 ÷ 388 = R$ 150. Com 65%, umas 33 horas de cliente a mais, o mesmo custo cai para cerca de R$ 138 por hora.

O texto sobre quanto cobrar por edição de vídeo segue daí.

Metas realistas por função

Não conheço referência publicada para produtora de vídeo que pare em pé. A mais próxima é o benchmark de maturidade de serviços profissionais de 2025 da SPI Research, que registrou utilização faturável média de 68,9%, abaixo dos 75% que os autores chamam de patamar ideal.

A pesquisa cobre serviços profissionais em geral. Produtora tem diária longa e equipamento para separar e devolver, então o número varia mais de uma casa para outra.

As faixas abaixo são ponto de partida da prática. Troque pelas suas depois de dois ou três meses de dados.

Função Faixa inicial
Editor, colorista, motion designer 70% a 80%
Produtor ou gerente de projetos 55% a 70%
Câmera ou fotógrafo que também edita 55% a 70%
Dono que vende e dirige 25% a 45%

Quem grava oscila mais, porque as diárias vêm em grupo e uma semana sem gravação puxa o mês para baixo. Juntas, essas faixas deixam a equipe de uma produtora pequena em algum ponto entre 55% e 70%.

Por que 100% é a meta errada

Equipe a 100% não tem hora sobrando para o imprevisto, e em vídeo ele sempre aparece: a terceira rodada, o cliente que muda a diária, o corte urgente para rede social, o editor de atestado.

Cada uma cai numa semana que já estava cheia, e a conta vem em hora extra ou em entrega atrasada.

O trabalho interno também para. Ninguém atualiza o reel nem aprende o que mudou no programa de edição, e um ano depois a produtora está mais lenta do que era.

O número também deixa de ser confiável. Se a equipe sente que 100% é o esperado, o timer fica rodando na tarefa do cliente durante o almoço, e a utilização sobe dizendo menos.

Para editor, 80% é mais ou menos onde a coisa começa a ranger: são 6,4 horas por dia de cliente, e o resto vai para e-mail, organização de arquivo e o que ninguém previu.

Como as rodadas comem a utilização

Rodada é trabalho de cliente, então no papel ela aumenta a utilização. Por baixo, faz dois estragos.

Ela chega no tempo do cliente. O editor manda a v2 na terça e os comentários voltam na segunda seguinte. Sem outro job pronto para cortar nesse meio-tempo, esses dias derrubam a utilização enquanto todo mundo se sente ocupado.

Em preço fechado, rodada além do combinado é hora de cliente que ninguém paga. Volte ao editor com 75%. Digamos que os orçamentos daquele mês previam 16 horas de rodadas, e elas levaram 34.

A utilização continua em 126 ÷ 168 = 75%. Contando só as horas que os orçamentos cobriam, cai para 108 ÷ 168 = 64%. As 18 horas a mais parecem trabalho produtivo num número e viram prejuízo na margem.

Por isso vale ler as horas contra a estimativa ao lado da utilização. Muitas vezes, reduzir as rodadas de alteração libera mais capacidade do que uma contratação.

Use para preço e contratação, não para vigiar gente

Utilização é número de planejamento. Leia o número da equipe toda, uma vez por mês, e espere a tendência de um trimestre antes de agir.

Se a equipe passa de uns 80% por três meses seguidos e as rodadas continuam se acumulando, falta gente. Um freelancer na etapa mais apertada é o jeito barato de testar.

Se fica abaixo de uns 55% por um trimestre, o buraco está na venda ou no preço, e mais um salário só piora.

Para dimensionar a contratação, divida as horas de cliente que não cabem pelo que uma pessoa acrescenta: um editor a 75% traz umas 126 por mês. O texto sobre quanto tempo leva para editar um vídeo transforma horas em vídeos.

Vira vigilância quando o número é lido por pessoa, por semana, na frente de todo mundo. Não faça ranking nem leve para avaliação de desempenho.

O editor com 55% pode ser quem está treinando o novato, ou quem está esperando um cliente que sumiu. Quando o número de alguém parecer estranho, converse em particular sobre os jobs que ele teve no mês.

E inclua o dono, porque deixar as horas dele de fora faz a taxa da equipe parecer mais alta do que a da produtora.

Como isso funciona no RecReview

O RecReview não calcula a taxa de utilização. Ele não tem marcação de hora faturável, valor por hora nem cadastro de horas disponíveis, então a divisão fica na sua planilha. A parte de cima da conta ele registra pelo timer, sem depender da memória de ninguém.

O timer roda numa tarefa ou num vídeo, um por pessoa de cada vez, e cada sessão guarda a fase em que a tarefa estava.

Nas Métricas, que só donos e administradores veem, o gráfico de Horas registradas agrupa as horas por cliente, projeto, fase ou pessoa no período que você escolher, como o mês passado. Horas de tarefa sem cliente ganham uma barra própria, Sem cliente, então o trabalho interno que você decidir cronometrar fica separado das horas de cliente.

A aba Equipe tem as visões do time:

  • Dia da equipe põe cada sessão de timer num relógio só, colorida por cliente.
  • Atividade da equipe mostra as horas de cada pessoa por dia, ou por semana em períodos longos, com o total.
  • Produtividade da equipe lista horas, dias trabalhados e média de horas por dia de cada um, e um clique no nome abre os dias da pessoa e onde o tempo foi, tarefa por tarefa.
  • Capacidade da equipe olha para a frente: tarefas ativas, próximo prazo e, quando as tarefas têm estimativa, as horas que faltam.

Feriado e férias ficam na sua agenda, não no RecReview. No plano Studio pago, a API pública lista todas as sessões de timer para a planilha da conta. As páginas de métricas e de controle de horas têm mais detalhes.

As horas de cada pessoa no mês, registradas pelo timer.

No RecReview, as Métricas dividem as horas registradas por cliente, projeto, fase ou pessoa em qualquer período, e um clique no nome abre os dias da pessoa e onde o tempo foi, tarefa por tarefa.

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Atividade de uma pessoa nas Métricas: horas no período, dias ativos, horas por dia e onde o tempo foi, tarefa por tarefa

Perguntas frequentes

Como calcular a taxa de utilização da equipe?

Divida as horas de trabalho de cliente no período pelas horas em que a pessoa estava disponível e multiplique por 100. Horas disponíveis são as horas pagas menos feriados, férias e atestados. Um editor com 126 horas de cliente em 168 disponíveis está em 75%. Para a equipe, some as horas de cliente de todo mundo e divida pela soma das horas disponíveis.

Qual é uma boa taxa de utilização para uma produtora de vídeo?

Não há referência publicada confiável para produtoras. O benchmark de 2025 da SPI Research, com empresas de serviços profissionais, registrou utilização faturável média de 68,9%, contra uma meta de 75%. Como ponto de partida numa equipe de vídeo, use 70% a 80% para editores, 55% a 70% para produtores e câmeras e 25% a 45% para o dono que também vende. Ajuste depois de alguns meses com os seus números.

Qual a diferença entre utilização e horas faturáveis?

A utilização conta toda hora de trabalho de cliente. A utilização faturável conta só as horas que o cliente paga. Para quem cobra por hora, as duas batem. Em preço fechado elas se separam quando, por exemplo, as rodadas passam do combinado no orçamento. Esse tempo é trabalho de cliente que ninguém paga.

O RecReview calcula a taxa de utilização?

Não. O RecReview registra as horas de cliente pelo timer e mostra nas Métricas por cliente, projeto, fase ou pessoa, para donos e administradores. Ele não tem marcação de hora faturável, valor por hora nem cadastro de horas disponíveis, então a divisão é feita na planilha. No plano Studio pago, a API pública lista todas as sessões de timer.

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