O cliente não percebe que a cor do vídeo inteiro está um pouco quente nem que um corte entrou dois frames atrasado. Ele percebe o sobrenome do diretor escrito errado no GC.
Percebe a tela piscando preta entre dois planos, a trilha subindo quando a entrevista acaba e a cartela final com o site do ano passado. Nada disso é questão de gosto, e cada um faz o cliente se perguntar o que mais passou batido.
A seguir estão esses erros, por que cada um acontece e como pegá-lo antes de o link sair. A conferência técnica completa de um arquivo de entrega está no checklist de QC final.
Em resumo
- Passe frame a frame pelos cortes mexidos no arquivo exportado, porque o render travado só existe nele.
- Confira a sincronia no fim dos takes compridos e assista ao export inteiro uma vez com fone.
- Nome errado no GC é o erro que o cliente acha mais rápido, então confira os nomes pela lista que ele confirmou.
- Antes de o link sair, compare a duração com a da versão anterior e vá aos pontos onde o cliente pediu mudança.
- Ponha a última passada no cronograma, no dia do export, feita por quem não editou o vídeo.
Erros na imagem
Frame preto ou flash frame no corte é o clássico. Um buraco de um frame que sobrou na timeline depois de um ajuste vira preto, e um frame perdido de outro clipe, onde duas edições não se encontraram direito, pisca o plano errado.
Na velocidade normal passa batido, e mesmo assim o cliente atento vê. O guia sobre detecção de frame preto explica as causas.
Procure buracos na timeline antes de exportar e, no arquivo exportado, passe frame a frame por todo corte mexido nesta rodada.
Imagem congelada costuma vir de um frame congelado para esticar um plano curto demais, ou de um render que travou. Confira no arquivo exportado, e não na timeline, porque o render travado só existe nele.
A cor muda entre os planos quando duas câmeras foram configuradas de jeitos diferentes, ou quando um plano entrou depois da correção de cor e ficou sem ela. O cliente vê quando o mesmo rosto ou o mesmo produto muda de cor de um plano para o outro. Depois de qualquer troca tardia, peça a quem fez a cor para olhar os planos novos.
Erros no som
O áudio sai de sincronia em material de celular e gravação de tela, que têm taxa de quadros variável, ou quando alguém arrasta só o áudio de um clipe na timeline. O descompasso cresce ao longo de um take comprido, então confira a boca no fim dele, não só no começo.
O volume pula entre os planos quando a entrevista foi gravada com lapela e as imagens de apoio vieram com o som da câmera, ou quando a trilha entra sem fade.
Áudio estourado é problema da captação: depois que os picos foram cortados na gravação, a mixagem disfarça, mas não desfaz. Os dois aparecem melhor no fone, com o volume fixo durante a assistida inteira.
O loudness geral é o erro que o cliente ouve sem saber o nome. Para TV na Europa vale a EBU R 128, com loudness médio de -23 LUFS no programa.
Plataformas e redes ajustam o volume de reprodução cada uma pela sua referência, então mixagem alta demais é abaixada e baixa demais soa fraca perto do que tocou antes. Pergunte onde o vídeo vai rodar antes de mixar.
Erros no texto da tela
Nome ou cargo errado no GC é o erro que o cliente acha mais rápido, porque é a parte do vídeo que ele conhece melhor do que qualquer pessoa na ilha de edição. O checklist de GC mostra como juntar nomes e cargos antes da edição para ninguém digitar de memória.
A legenda some ou sai de sincronia quando foi feita sobre um corte anterior. Um ajuste em 0:40 empurra todas as falas depois dele, e o SRT da semana passada fica certo por quarenta segundos e errado no resto.
Assista à versão final com a legenda ligada e confira se a última fala ainda bate com a última legenda. As regras de legenda tratam de tamanho de linha e velocidade de leitura.
Texto fora da área de título fica ótimo no monitor do editor e aparece cortado no celular ou embaixo dos botões do Instagram, principalmente quando o corte em 16:9 vira vertical e os grafismos ficam onde estavam. Ligue as guias de área segura e confira cada formato que vai ser entregue.
Erros no arquivo enviado
Exportar a versão errada acontece mais do que se admite. O editor duplica a sequência da v3 para fazer a v4 e exporta da aba da v3, ou sobe o arquivo vizinho do certo na pasta.
Compare a duração com a da versão anterior e vá a dois ou três pontos onde o cliente pediu mudança. Se esses momentos estiverem iguais aos da rodada passada, pare.
O post sobre comparar duas versões mostra como ver o que mudou, e o de timecode, como anotar esses pontos.
Logo ou cartela final desatualizados vêm de modelo reaproveitado. O projeto começa com a cartela do ano passado, e no meio do caminho mudaram o site, o telefone ou o logo. Leia a cartela letra por letra e abra o endereço que aparece nela.
Quem pega cada erro
| Erro | Quem deve pegar | Quando |
|---|---|---|
| Frame preto, flash frame, congelamento | Editor | Ao assistir ao export, antes de subir |
| Cor diferente entre planos | Colorista ou editor | Depois de qualquer troca pós-cor |
| Sincronia, pulo de volume, estouro | Editor ou mixador | Na assistida com fone |
| Loudness geral | Mixador | Na mixagem, pelo destino do vídeo |
| Nome ou cargo errado | Produtor | Pela lista que o cliente confirmou |
| Legenda | Quem fez a legenda | Depois do último ajuste no corte |
| Texto fora da área de título | Editor | Em cada formato de entrega |
| Versão errada | Produtor | Antes de o link sair |
| Logo ou cartela antigos | Produtor | Pelos arquivos de marca atuais do cliente |
O editor responde pelo que só aparece no arquivo, e o produtor pelo que depende de conhecer o cliente. A última assistida deve ser de quem não editou. Quem montou o vídeo sabe o que deveria estar ali e costuma enxergar mesmo quando não está.
Uma última passada que cabe no cronograma
Ponha a revisão final no cronograma, no mesmo dia do export. Conferência marcada para “se der tempo” é a primeira a cair num dia apertado.
Assista uma vez em tela cheia, com fone, do começo ao fim, e outra no celular, pelo alto-falante dele. Depois volte com uma lista:
- Todo texto da tela.
- A cartela final.
- Os cortes que mudaram nesta rodada.
- A duração comparada com a da versão anterior.
Entrega para TV e plataforma pede mais, e o checklist de QC final traz o resto.
Como isso funciona no RecReview
No RecReview, o AI Review roda numa versão quando você pede, ou em todo upload se o workspace tiver a revisão com IA automática ligada.
Ele mede o áudio do arquivo inteiro e aponta pico acima do limite seguro, volume bem acima ou bem abaixo do esperado para internet e silêncio longo no meio do vídeo. Como a referência é a internet, uma mixagem no padrão de TV citado acima aparece como baixa, e isso é esperado.
Ele também lê o texto da tela e aponta erro claro de grafia e texto cortado na borda do quadro.
Quando a tarefa tem roteiro, compara o que foi falado com o que foi escrito e mostra frases cortadas, acrescentadas ou trocadas. A primeira versão é conferida contra o roteiro inteiro. As seguintes, só onde algo mudou, e depois que o cliente comenta, valem os pedidos dele.
Cada apontamento tem timecode e aparece como marcador na barra do player e na lista de comentários, junto das notas da equipe e do cliente. O AI Review mostra o momento, e o editor decide a correção.
Da segunda versão em diante, ele também passa pelos pedidos do cliente na versão anterior e marca cada um como feito, parcial ou não feito. Se algum ainda parecer não atendido na hora de enviar ao cliente, a janela de envio avisa antes de o e-mail sair.
Um export antigo que subiu por engano costuma aparecer bem ali. Aí dá para pôr as duas versões lado a lado, ou sobrepostas no modo diferença, e ver o que mudou.
Sincronia, cor entre os planos e o que depende de conhecer o cliente, como a cartela final atual, continuam precisando de uma pessoa. Para conferir o texto, a tecla G no player desenha as áreas de título e de ação sobre a imagem.
O cliente vê os apontamentos do AI Review no link de revisão, a não ser que você os esconda nas configurações do workspace. Mais sobre o método em review de vídeo com IA, explicado.




