Blog · Pré-produção

Termo de autorização de uso de imagem para vídeo: modelo e o que ele precisa ter

O termo de imagem diz o que pode ser usado, onde o vídeo vai circular, por quanto tempo e se pode virar versões curtas. Quando colher a assinatura, menor de idade, quem aparece no fundo e um modelo para adaptar.

Samuel Silva18 de setembro de 2026 · 7 min de leitura
Tarefa do vídeo com descrição, roteiro, a diária em que ele é gravado e a seção Anexos, onde vai o termo assinado

O institucional foi aprovado, e o cliente quer subir um corte de 15 segundos como anúncio pago no Instagram. O jurídico pede os termos de imagem.

O do entrevistado fala em “site da empresa” e mais nada, e ninguém sabe em que e-mail foi parar o PDF. A recepcionista que aparece em dois planos de cobertura nunca assinou coisa nenhuma.

Quase tudo o que dá errado com o termo se decide antes da diária, no que o papel diz e na hora em que ele é assinado.

A Constituição protege a imagem e garante indenização quando ela é violada (art. 5º, X), e protege também a reprodução da imagem e da voz (art. 5º, XXVIII, a).

Pelo Código Civil, salvo se autorizado, o uso da imagem de alguém com fins comerciais pode ser proibido a pedido da pessoa, sem prejuízo da indenização (art. 20). Vídeo de empresa quase sempre tem fim comercial, e o termo assinado é a prova da autorização.

Este texto não é orientação jurídica: use o modelo do jurídico do cliente, se existir, e peça a um advogado para revisar o seu uma vez.

Em resumo

  • O termo precisa dizer o que pode ser usado, quem usa, onde o vídeo circula, por quanto tempo, em que território, a edição, o pagamento e como revogar.
  • Mande o texto alguns dias antes e colha a assinatura na chegada ao set, antes do primeiro take.
  • Deixe claro ao funcionário que aparecer é opcional, e para menor de 16 anos quem assina é o responsável legal.
  • Escaneie o termo assinado no mesmo dia, dê ao arquivo o código do vídeo e guarde junto do trabalho.

O que o termo precisa dizer

Termo de uma linha (“autorizo o uso da minha imagem”) não responde à primeira pergunta específica que alguém fizer daqui a um ano.

Imagem de pessoa reconhecível é dado pessoal para a LGPD (art. 5º, I), e quando o uso se apoia no consentimento, ele precisa ter finalidade determinada, porque autorização genérica é nula (art. 8º, § 4º). Escreva cada item:

  1. O que pode ser usado: imagem, voz, nome e cargo. Nome e cargo entram porque vão aparecer no GC.
  2. Quem pode usar: a produtora e o cliente, com nome e CNPJ, e se o cliente pode repassar o material à agência que cuida da mídia dele.
  3. Onde o vídeo vai circular: site, redes sociais, anúncio pago, evento, canais internos, TV.
  4. Por quanto tempo: até uma data, por um número de anos a partir da primeira publicação ou sem prazo.
  5. Território: Brasil ou todos os países.
  6. Edição: se o vídeo pode virar versões mais curtas, ganhar legenda, ser traduzido e render fotos de cena e miniaturas, sem mudar o sentido do que a pessoa disse.
  7. Pagamento: o valor, ou a frase dizendo que a autorização é gratuita.
  8. Revogação: para quem a pessoa escreve, o que deixa de ser feito e em quanto tempo.

O último item é o que mais pega. Quando o uso se apoia no consentimento, a LGPD deixa a pessoa revogar a qualquer momento, por procedimento gratuito e facilitado, e o que foi feito antes do pedido continua valendo (art. 8º, § 5º). Combine no próprio termo o que acontece quando alguém quiser sair.

Colha a assinatura antes de gravar

Mande o termo alguns dias antes, junto com o horário e o endereço, para a pessoa ler em casa e não no corredor com o lapela já preso na roupa. A assinatura sai na chegada, antes da maquiagem e do primeiro take.

Depois da diária fica tudo mais difícil. A pessoa já se viu no monitor e não gostou, ou saiu da empresa, ou parou de responder e-mail. Se ela não assina, o material não pode ir para o ar, e você descobre isso com a edição quase pronta.

O termo também resolve como se escreve o nome e o cargo. A pessoa preenche de próprio punho, e o editor copia o GC do papel assinado. Mais sobre isso no checklist de GC.

Funcionário, cliente e quem passa no fundo

Com funcionário o cuidado é outro, porque é difícil dizer não para o chefe. Deixe claro, por escrito, que aparecer é opcional e que quem preferir ficar de fora não sofre nada por isso.

Inclua também o que acontece quando a pessoa sai da empresa, porque o institucional costuma ficar no site mais tempo do que muita gente fica no emprego.

Cliente que dá depoimento assina o mesmo termo. Se a marca da empresa dele aparece, alguém de lá também pode precisar aprovar, como explica o guia de perguntas para depoimento.

Quem passa no fundo pede bom senso. Pessoa reconhecível que fica tempo na tela, ou que é o assunto do plano, assina, sai do quadro ou ganha um desfoque. Em evento, um aviso de gravação na entrada ajuda, mas não substitui o termo de quem você coloca em destaque.

Menor de idade e locação

Até os 16 anos incompletos, quem assina é o responsável legal, que representa o menor. De 16 a 17, o adolescente assina junto com o responsável, que o assiste (Código Civil, art. 1.634, VII).

O ECA inclui a preservação da imagem no direito ao respeito de crianças e adolescentes (art. 17). No papel, separe o campo do nome do menor e o do responsável, e mantenha o responsável no set.

A locação pede autorização própria, por escrito, de quem responde pelo espaço, com o horário liberado e o uso das imagens. Repare em quadro, cartaz e marca de terceiros no enquadramento. O checklist de pré-produção cobre o resto da visita técnica.

Modelo de termo de autorização de uso de imagem e voz

Uma página só. Troque os colchetes e apague as opções que não servem.

Termo de autorização de uso de imagem e voz

Eu, [nome completo], CPF [número], autorizo [Produtora], CNPJ [número], e [Cliente], CNPJ [número], a gravar e usar minha imagem, minha voz, meu nome e meu cargo no vídeo “[projeto]”, gravado em [data], em [local].

Uso: [site do Cliente, redes sociais, anúncios pagos, eventos, canais internos].
Prazo: [até (data) / por (número) anos a partir da primeira publicação / sem prazo].
Território: [Brasil / todos os países].

O vídeo pode ser editado, legendado, traduzido e recortado em versões mais curtas, fotos de cena e miniaturas para esses mesmos usos, sem mudar o sentido do que eu disse. O [Cliente] pode repassar o material às agências que trabalham nesses usos.

Esta autorização é [gratuita / remunerada com R$ (valor), pagos até (data)].

Para revogar, escrevo para [e-mail]. A partir do pedido, [Produtora] e [Cliente] não fazem usos novos e tiram o vídeo dos canais que controlam em até [número] dias. [O que já tiver sido publicado ou impresso antes do pedido pode continuar circulando.]

Os dados pessoais deste termo servem só para registrar esta autorização.

Nome: ______
Cargo, como deve aparecer no vídeo: ______
E-mail: ______
Assinatura: ______ Data: ______

Se menor de idade:
Nome do responsável legal: ______ CPF: ______
Assinatura do responsável: ______ Data: ______

Se o jurídico do cliente mandar o modelo dele, confira contra a lista acima alguns dias antes da diária.

Guarde o termo junto do vídeo

O termo só ajuda se alguém achar daqui a um ano, e ninguém vai procurar no e-mail do produtor nem no grupo de WhatsApp.

Escaneie ou fotografe no mesmo dia, dê ao arquivo o código do vídeo e o nome da pessoa (BRD_002_termo_Sofia-Almeida.pdf) e guarde junto do trabalho, ao lado do briefing e do roteiro.

A estrutura de pastas reserva uma pasta de papelada para isso. O termo tem CPF e assinatura, então fica onde só a sua equipe abre.

Como isso funciona no RecReview

O RecReview não colhe assinatura nem controla termos. Ele guarda a lista de quem aparece e o termo assinado ao lado do vídeo.

No plano da diária, cada bloco de vídeo tem a coluna Talento, com quem aparece. Ela fica gravada na tarefa do vídeo e aparece acima do título no link compartilhado do plano.

O bloco Chegada do Talento põe a chegada de cada pessoa no cronograma, com horário próprio, e essa é a hora de colher as assinaturas. Uma nota no bloco, como “falta o termo da segunda entrevistada”, aparece no plano compartilhado e, no bloco de vídeo, também na seção Produção da tarefa.

O termo assinado vai como anexo na tarefa do vídeo, em PDF ou foto de até 50 MB, arrastado para a seção Anexos. PDF e imagem abrem numa prévia dentro da tarefa.

O cliente não vê os anexos da tarefa, porque nem o link de revisão nem o portal mostram esses arquivos, mas todo mundo do seu workspace consegue abrir. Mais em planos de produção.

Quem aparece em cada vídeo está no plano da diária.

No RecReview, a coluna Talento do plano diz quem aparece em cada vídeo, a nota de cada bloco de vídeo aparece na tarefa e o termo assinado vai como anexo nessa mesma tarefa.

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Blocos de vídeo do plano com título, duração e a coluna Talento, que diz quem aparece em cada um

Perguntas frequentes

O que o termo de autorização de uso de imagem precisa ter?

Quem autoriza e para quem, o que pode ser usado (imagem, voz, nome e cargo), onde o vídeo vai circular, por quanto tempo e em que países, se pode ser editado em versões mais curtas, se há pagamento e como a pessoa pede para revogar. Autorização genérica não basta, porque a LGPD diz que, quando o uso se apoia no consentimento, ele precisa ter finalidade determinada. Este texto não é orientação jurídica.

Quando colher a assinatura do termo de imagem?

Antes de a câmera rodar. Mande o texto alguns dias antes, para a pessoa ler com calma, e colha a assinatura na chegada ao set. Depois da gravação, quem se recusa ou some deixa você com material que não pode ser usado.

Quem assina o termo de imagem de menor de idade?

Até os 16 anos incompletos, o responsável legal assina pelo menor. De 16 a 17 anos, o adolescente assina junto com o responsável, que o assiste (Código Civil, art. 1.634, VII). Escreva o nome do menor e o do responsável em campos separados.

A pessoa pode revogar a autorização de uso de imagem?

Quando o uso se apoia no consentimento, a LGPD permite revogar a qualquer momento, por um procedimento gratuito e fácil, e o que foi feito antes continua válido (art. 8º, § 5º). O termo deve dizer a quem a pessoa escreve e o que a produtora e o cliente deixam de fazer. Confirme os detalhes com um advogado.

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