Quase toda gravação remota cai num destes dois formatos. Ou a equipe está no set e o cliente ou o diretor acompanha de outra cidade, ou ninguém da equipe vai e a pessoa grava em casa, com um kit que você mandou ou com o próprio celular.
Os dois costumam dar errado nos mesmos pontos. A nota chega de todo mundo que está na chamada ao mesmo tempo, e o vídeo final sai da gravação da chamada porque era o arquivo que alguém tinha à mão.
Em resumo
- Com a equipe no set, o cliente assiste pela chamada à saída HDMI limpa, boa para interpretação e texto, mas não para foco e cor.
- Em casa, um celular recente num suporte costuma dar conta, e o kit compensa quando o vídeo é importante.
- Uma pessoa só dá as notas, uma de cada vez, entre os takes.
- Grave na câmera ou no celular na qualidade máxima e nunca entregue a gravação da chamada.
- Faça uma chamada de teste dois ou três dias antes, no mesmo cômodo e no mesmo horário.
Quando a equipe está no set e o cliente não
O cliente assiste por videochamada. O jeito mais simples é ligar a saída HDMI limpa da câmera numa placa de captura no notebook, que o programa da chamada enxerga como webcam.
Esse notebook entra na chamada com o microfone mudo e o som desligado, e a produção fala com o cliente por outro aparelho.
Explique ao cliente para que serve essa imagem. A chamada comprime o vídeo e perde quadros quando a conexão oscila, então serve para avaliar a interpretação, o texto e o enquadramento. Foco e cor ficam com a equipe.
Tire a chamada do som. Se a caixinha do notebook toca “dá para ela repetir essa frase?” no meio do take, a pergunta entra na lapela.
No set, a chamada vai só para o fone, o microfone do cliente fica mudo enquanto a câmera roda, e as notas vão pelo chat para a produção repassar entre os takes.
Ponha o fuso horário na ordem do dia, do lado do link da chamada. “Chamada às 10h” vira dois horários diferentes quando o cliente está em Lisboa e a equipe em São Paulo.
Quando a pessoa grava em casa
A primeira decisão é mandar kit ou não. Celular recente filma melhor que a webcam da maioria dos notebooks, então para um recado interno o celular da própria pessoa num suporte costuma dar conta. Mande kit quando o vídeo é importante ou a pessoa vai gravar mais vezes.
Um kit que funciona cabe numa caixa:
- Suporte de celular e um tripé pequeno
- Um microfone de lapela com o conector certo para o celular dela
- Um painel de LED pequeno com difusor
- Carregador portátil
- Cabos etiquetados e o código de postagem para a devolução
Junte uma folha impressa com fotos da montagem, porque ninguém abre PDF segurando tripé.
As fotos mostram a câmera na altura dos olhos, o rosto virado para a janela ou com a janela de lado (nunca atrás) e a cadeira bem longe da parede. O resto de enquadramento e luz está no nosso guia de vídeo falando para a câmera.
Se o celular é a câmera, acerte os ajustes na chamada de teste. Resolução e taxa de quadros iguais às do projeto. No iPhone, confira o FPS Automático em Ajustes, Câmera, Gravar Vídeo, porque a Apple avisa que ele pode baixar a taxa para 24 fps com pouca luz.
Toque e segure no rosto, no app Câmera, para travar o foco e a exposição, e ligue o Não Perturbe.
Uma voz só, um respiro e um canal de retorno
Na chamada qualquer um tira o mudo, então defina antes da diária quem fala com quem está gravando, quase sempre o diretor. O resto escreve para o diretor no chat.
Quem ouve três notas de uma vez tenta fazer as três e o take seguinte piora, por isso dê uma de cada vez, entre os takes. Como falar cada uma está no post sobre gravar com funcionários que não são atores.
Na chamada tudo chega um pouco atrasado, e a nota que começa quando o apresentador termina a frase cai em cima da próxima. Combine uns dois segundos de silêncio depois do “corta” antes de alguém falar.
Depois, resolva como a voz do diretor chega ao apresentador. No set, funciona um ponto eletrônico ou a produção repetindo a nota ali do lado.
Em casa, o retorno é a própria chamada, mas pela caixinha do notebook a sua voz entra na gravação também. Peça para ele usar fone num ouvido só, o do lado oposto à câmera, ou baixar o volume antes de cada take.
Se o texto vem do teleprompter, ponha a tela o mais perto possível da lente. O guia de ler no teleprompter com naturalidade vale igual na mesa da cozinha.
Grave no aparelho, acompanhe pela chamada
A gravação acontece na câmera ou no celular na frente da pessoa, na qualidade máxima. A chamada é só para assistir.
Ela derruba a resolução quando a conexão cai, congela quadros e passa a voz por redução de ruído e cancelamento de eco, que às vezes comem o começo das palavras.
Nunca entregue a gravação da chamada, nem quando o cliente diz que ficou ótimo na tela dele. Grave a chamada assim mesmo, como referência do take aprovado.
Confira se a lapela está ligada no celular ou na câmera, e não no notebook da chamada. Com a lapela plugada, o celular deixa de usar o microfone dele, então um segundo aparelho gravando perto é um seguro barato.
Bata palma na frente da câmera no começo de cada take e fale o número, para o editor casar os arquivos com as anotações, e grave 30 segundos de som ambiente.
Como trazer os arquivos de volta
Antes de desligar, peça para a pessoa tocar o último take e ouvir com você na chamada. Se a lapela morreu no meio, é melhor descobrir enquanto todo mundo ainda está ali.
Uma sessão de 20 minutos em 4K passa de alguns gigas, e aplicativo de mensagem comprime o vídeo mandado como mídia, então o original vai por link de transferência ou pasta compartilhada. O post sobre como enviar vídeo pesado para o cliente compara as opções.
Alguns apps só enviam enquanto estão abertos, então deixe o celular na tomada com o app na tela. E peça para a pessoa não apagar nada até os arquivos abrirem do seu lado.
Checklist da chamada de teste
Faça dois ou três dias antes, no mesmo cômodo e no mesmo horário da gravação, porque a luz da janela às 9h não tem nada a ver com a das 16h.
- Enquadramento: câmera na altura dos olhos, olhos no terço de cima, alguma profundidade atrás.
- Luz: rosto virado para a janela ou para um abajur, nada claro atrás da cabeça.
- Som: 30 segundos na lapela, tocados de volta, ouvindo eco, geladeira e ar-condicionado.
- Câmera: resolução, taxa de quadros, FPS Automático, foco e exposição travados.
- Espaço e bateria: memória livre para a sessão inteira com folga, carregador na tomada.
- Teleprompter: tela junto da lente, letra grande o bastante na distância real.
- Envio: um trecho curto mandado do mesmo jeito que os arquivos de verdade, aberto do seu lado.
- Pessoas: quem entra na chamada no dia, quem dá nota e o horário de início em cada fuso.
Como isso funciona no RecReview
No RecReview, o teleprompter abre do plano de produção, e a tela do apresentador entra por QR code ou link, sem app e sem login.
A tela se conecta pelo servidor do RecReview, e não direto no seu notebook, então o tablet pode estar na casa do apresentador enquanto você, na produtora, controla a rolagem e a velocidade. Cada tela tem o seu espelho, e tela nova começa sem espelho.
Para dar nota durante o take, você digita até 120 caracteres, e o recado aparece numa faixa âmbar na parte de baixo da tela do apresentador até você tirar.
Ao lado do texto, dá para acompanhar até quatro fontes, câmeras ligadas ao notebook ou uma janela compartilhada, como a chamada com o apresentador, com medidor de nível nas fontes que têm áudio. O painel mostra a imagem sem som e não grava nada, então a chamada continua no seu fone.
Para o cliente que acompanha do escritório, o link compartilhado do plano abre sem login e se atualiza sozinho. Com o teleprompter rodando, a página marca o bloco que está no teleprompter e, se o plano tem link de reunião, mostra um botão para entrar na chamada.
Com o Google Agenda conectado, o plano vira um evento com link do Meet, com a equipe e o contato principal do cliente como convidados, ou você cola o link de outro serviço de chamada. A página do teleprompter tem o resto.






