Quase todo roteiro de vídeo institucional começa igual: “A Cooperativa Vale do Pardo é referência no agronegócio, com compromisso com a excelência e a inovação.” Alguém copiou do site, e no papel até funciona.
Lido em off sobre o drone, ocupa os primeiros segundos sem contar nada, e na home do site ou no feed do LinkedIn é muitas vezes ali que a pessoa sai.
Roteiro de vídeo de empresa é ouvido uma vez só, no ritmo de quem fala, por gente que não pediu para assistir. Este texto trata da história e das palavras. O formato, com imagem à esquerda e som à direita, está no modelo de roteiro em duas colunas.
Em resumo
- Comece pelo que mudou, nos primeiros segundos, e deixe a descrição da empresa para a página Quem Somos.
- Quatro tempos sustentam o roteiro: o gancho, a mudança, uma prova e um pedido.
- Uma ideia por frase, e leia o roteiro inteiro em voz alta com cronômetro.
- Marque quem fala cada linha: o off, quem aparece na câmera ou o texto na tela.
- Escreva nome, cargo, número e data na forma final e mande essas linhas ao cliente numa lista curta para conferir.
Comece pelo que mudou
Vídeo institucional costuma existir porque alguma coisa mudou. Abriu uma fábrica, saiu um serviço novo, ou a empresa precisa contratar quarenta soldadores até março. Essa mudança é a história, e a descrição da empresa pode ficar na página Quem Somos.
Quatro tempos funcionam para filme de marca, lançamento ou recrutamento:
- O gancho, nos primeiros segundos: uma imagem ou uma pessoa no meio de alguma coisa, às vezes um número. A vinheta do logo e a missão da empresa podem esperar.
- A mudança, ou o problema que ela resolveu, numa frase que diga o que está diferente agora e para quem.
- A prova. Um número, um cliente ou uma cena que a câmera consiga mostrar. Escolha a mais forte, porque três estatísticas seguidas viram uma só na cabeça de quem ouve.
- O pedido. Uma ação só, dita sem rodeio, como “inscreva-se até sexta” ou “agende uma visita”.
Antes da primeira linha, combine com o cliente a frase que o espectador tem que guardar, que de preferência já está no briefing. Cada fala do roteiro sustenta essa frase ou sai.
No vídeo de depoimento, quem carrega esses tempos é o cliente, e as palavras dele saem da entrevista. Você escreve as perguntas que trazem cada tempo para a câmera e umas poucas frases de off de ponte (as perguntas para vídeo de depoimento seguem essa lógica).
Escreva para o ouvido
Quem assiste ouve cada frase uma vez e não volta, então ela precisa fazer sentido assim que termina.
- Uma ideia por frase. Frase com um “que” pendurado ou com uma segunda vírgula quase sempre dá duas.
- Comece pelo sujeito e pelo verbo. “Agora o cooperado fecha o preço antes da colheita” entra de primeira, e “Com a implantação da nova plataforma de comercialização, os cooperados passam a…” deixa o ouvinte esperando o assunto.
- Fale como gente fala. “Soluções” e “comprometida com” saem de PowerPoint e não têm nada para filmar. Se o diretor vai ler a fala, leia com a voz dele e troque o que ele não diria.
- Não descreva o que está na tela. “Como você pode ver, nossa equipe trabalha 24 horas por dia” gasta palavra com o que a pessoa já está vendo. O off traz o que a câmera não mostra, como quanto tempo levou ou quanto custava antes.
Depois leia o roteiro inteiro em voz alta, com cronômetro. Se faltar fôlego, a frase está comprida. Se você tropeçar, troque a palavra.
Quantas palavras cabem em cada duração está em palavras por minuto no roteiro, e a duração em si, em duração ideal de vídeo institucional.
Um antes e depois
Uma cooperativa de café passou a deixar o produtor fechar o preço antes da colheita e quer 30 segundos para o LinkedIn. O primeiro rascunho veio do folder institucional:
A Cooperativa Vale do Pardo é referência no agronegócio, com compromisso com a excelência, a inovação e o desenvolvimento sustentável dos seus cooperados. Com a implantação da nova plataforma digital de comercialização, reafirmamos o nosso compromisso de gerar valor para o produtor rural.
O roteiro reescrito:
OFF: Seu Antônio planta café há quarenta anos.
OFF: Até o ano passado, ele só sabia o preço da saca depois de colher.
ANTÔNIO, na câmera: Agora eu fecho o preço antes. E o dinheiro cai em quinze dias.
GC: “Antônio Ferreira / Cooperado desde 1998”
OFF: Mil e duzentas famílias já vendem assim.
OFF: Procure a unidade da cooperativa mais perto de você.
O rascunho gasta 43 palavras, quase 20 segundos de off, e quem assiste continua sem saber o que aconteceu. A versão nova conta a história inteira em 50 e ainda deixa tempo para a imagem respirar.
Ela abre com uma pessoa e um número, e quem fala da mudança é o próprio cooperado, com o GC escrito do jeito que vai para a tela.
“Mil e duzentas famílias” é a linha para devolver ao cliente antes de marcar a diária. Se o número certo é 1.180, o off diz “quase mil e duzentas”, e a tela, se mostrar o número, mostra 1.180. O ano em que o Seu Antônio entrou também se confere no cadastro da cooperativa.
Decida quem fala cada linha
Quem aparece na câmera fica com as falas que são dele, como o que decidiu e como era antes. “A gente estava recusando cliente” convence na boca do fundador e soa como anúncio no off.
O off leva contexto, transição e os dados que ninguém diria com naturalidade para a câmera, como uma data ou um número do relatório anual.
Na tela fica o que o espectador precisa ler e guardar: o GC com nome e cargo, o número principal, o endereço do site, uma linha jurídica. Evite uma frase inteira na tela enquanto o off diz outra coisa, porque ninguém acompanha as duas.
Um número que repete o off não atrapalha. Corte que roda sem som no feed precisa de legenda (as regras de legenda explicam como quebrar as linhas).
Marque quem fala em cada linha antes da diária: OFF, o primeiro nome de quem aparece, ou GC e CARTELA para texto. Quem lê no teleprompter deve ver só as próprias falas.
Nome, cargo, número e data do jeito que vão para a tela
Escreva no roteiro cada nome, cargo, número e data na forma final, como vão aparecer na tela. Depois mande essas linhas ao cliente numa lista curta e peça que ele confirme uma por uma.
“Confere essas seis linhas para mim?” recebe uma resposta cuidadosa. “Vê se o roteiro está ok” recebe um joinha de quem passou o olho.
Cargo muda, e o que está no LinkedIn pode ter um ano. Tem gente que escreve o próprio nome de um jeito que nem o colega sabe (Luiz com z, Thaís com h).
Escolha um formato para número, moeda e data, e faça o off bater com a tela: “quase quatrocentos” no off com “386” na tela é o tipo de diferença que alguém do cliente pega na última rodada.
Nome de produto segue o manual da marca, maiúscula incluída. O checklist de GC cobre o resto na hora da edição.
Como isso funciona no RecReview
No RecReview, o roteiro fica na tarefa do vídeo, como arquivo (PDF, Word, PowerPoint, TXT ou RTF, até 50 MB) ou documento do Google Drive ou do OneDrive. Cada reescrita entra como versão nova, e o histórico guarda todas, com as que já foram para o cliente marcadas como Enviado.
Enviar uma versão ao cliente manda por e-mail o link do roteiro com a sua mensagem, um bom lugar para a lista de linhas a conferir. Se o documento está no Drive ou no OneDrive e foi editado depois da última versão, o RecReview cria uma versão nova antes do envio, e o cliente recebe o que você acabou de escrever.
Roteiro não tem botão de aprovação, então peça o ok por escrito e guarde junto do trabalho.
Com o primeiro corte pronto, o AI Review pode comparar o vídeo com a versão mais recente do roteiro da tarefa, sob demanda ou em todo upload, se você ligar essa opção. Ele marca fala cortada, acrescentada ou trocada e trecho pulado ou fora de ordem, cada um com o timecode e o que foi dito de fato ali.
Nas versões seguintes, confere só o que mudou na fala ou no roteiro, e depois que o cliente comenta uma versão, os comentários dele passam a ser a referência. Algumas diferenças são erro e outras são falas que melhoraram na gravação, e quem decide é o editor.



