Blog · Revisão com o cliente

Glossário de produção audiovisual para quem contrata vídeo

Diária, ordem do dia, sonora, GC, corte travado, master. Os termos que o cliente ouve da produtora, do briefing à entrega, separados por etapa e explicados em uma ou duas frases.

Samuel Silva17 de setembro de 2026 · 7 min de leitura
Seção de produção da tarefa: diária 1 do plano, chamada marcada como gravada 35 minutos depois do previsto, tempo de gravação, duração final e uma nota para a equipe
Card do kanban com cliente e projeto, código do vídeo, versão 1, fase Pós-produção, revisão do cliente, timer rodando e prazo

A produtora escreve “a V3 é o corte fino, a gente trava depois dos seus comentários e manda para cor e mixagem”, e o cliente responde “perfeito!” sem saber com o que concordou.

Abaixo, os termos que o cliente mais ouve, na ordem em que o projeto anda. Se você tem uma produtora, vale mandar este texto ao cliente novo antes da reunião de início.

Em resumo

  • O primeiro corte é para comentar estrutura e mensagem, e o corte fino é a última rodada em que trocar coisas de lugar sai barato.
  • Depois do corte travado a edição para de mudar, e cor, som, GCs e legendas são feitos em cima daquele tempo exato.
  • Cite o número da versão e o timecode no comentário, e mande tudo de uma vez, por uma pessoa só.
  • Combine os entregáveis e o formato antes da diária, e se o bruto ou o projeto vêm junto, no contrato.

Pré-produção

Briefing. O resumo do trabalho feito pelo cliente: para que serve o vídeo, quem assiste, onde vai rodar, duração, prazo e verba. Briefing vago volta como rodada extra, e este modelo de uma página ajuda.

Tratamento. A proposta do diretor para o jeito do filme, com tom, referências e às vezes elenco e locações. Aprovar o tratamento é fechar a linha do vídeo antes de contratar a equipe.

Roteiro. O texto e a ordem das cenas, muitas vezes em duas colunas, com imagem de um lado e áudio do outro. Confira nomes, cargos e números aqui, porque corrigir uma fala depois pode exigir gravar de novo.

Storyboard. Um desenho por plano, com enquadramento e ação. Publicidade e animação usam muito. Entrevista quase nunca, porque ninguém sabe as respostas antes.

Decupagem técnica. O roteiro dividido em planos, para a edição ter tudo o que ele pede. Também se diz lista de planos.

Ordem do dia. O plano da diária, enviado na véspera, com endereço, horários, contatos e a hora de chegada de cada um. Quem aparece no vídeo é chamado bem antes da primeira cena, para maquiagem e microfone.

Diária. Um dia de gravação, que é como equipe e equipamento costumam ser cobrados. Passar do horário combinado gera hora extra, por isso uma diária com dez vídeos pede um cronograma realista.

Gravação

Sonora. O trecho de fala de um entrevistado que vai para o vídeo. No depoimento, é ela que carrega a história.

Imagem de apoio. Tudo o que entra por cima da fala, como o escritório, mãos no teclado ou o produto, também chamado de cobertura. Esconde os cortes da entrevista e mostra o que a pessoa diz. Quando o editor diz que faltou apoio, tem corte sem imagem para cobrir.

Room tone. Trinta segundos a um minuto do som do lugar em silêncio, com todo mundo parado. Quando o editor tira uma tosse, esse som tapa o buraco para o fundo não sumir.

Material bruto. Tudo o que as câmeras gravaram, o bruto. Ocupa muito mais espaço que o vídeo pronto, e se o cliente recebe uma cópia é assunto de contrato, a combinar antes.

Edição e finalização

Decupagem. Antes de cortar, o editor assiste ao bruto e anota os takes bons e as melhores falas, com a minutagem. Em vídeo de entrevista, a decupagem vira um roteiro de edição para o cliente aprovar.

Primeiro corte. A primeira montagem que sai da ilha de edição, também chamada de corte bruto, com a história na ordem e a duração aproximada. Parece inacabada porque é, então o comentário aqui é sobre estrutura e mensagem. Mais no guia de revisão do primeiro corte.

Corte fino. A edição ajustada depois dos comentários do primeiro corte. É a última rodada em que trocar coisas de lugar sai barato.

Corte travado. O momento em que a edição para de mudar, o picture lock. Cor, som, GCs e legendas são feitos em cima daquele tempo exato, e por isso mexer num corte travado custa bem mais que o corte em si.

Trilha e arte provisórias. Música e animação que seguram o lugar das definitivas durante a edição. Se algo soa ou parece barato num corte inicial, pergunte se é provisório antes de comentar.

GC. O nome e o cargo na tela quando alguém fala (a sigla vem de gerador de caracteres). É onde o cliente mais acha erro de digitação, então mande nomes e cargos por escrito, com este checklist de GC.

Off. A voz de um locutor gravada à parte, também chamada de locução. O off guia é uma leitura provisória que fica no corte até a gravação da locução final.

Cor. O ajuste de cor e contraste plano a plano, para o vídeo ficar consistente e com o clima certo. Muita gente diz color grading, e quem faz é o colorista.

Mixagem. O equilíbrio entre falas, trilha e efeitos, com limpeza de ruído e o volume que a plataforma espera. No primeiro corte o som ainda não foi mixado, então um pulo de volume ali não preocupa.

Finalização. Tudo o que vem depois do corte travado: cor, mixagem, artes finais, legendas e exportações. Vídeo na finalização já tem a edição decidida e está no acabamento.

Revisão

Versão. Cada corte enviado para revisão, numerado V1, V2, V3. Cite o número no comentário, porque “o último vídeo” pode ser dois arquivos diferentes.

Rodada. Um ciclo de comentários do cliente seguido de uma versão nova. O orçamento costuma prever um número de rodadas e cobrar as extras, e comentários mandados de uma vez, por uma pessoa só, evitam que as rodadas de revisão se multipliquem.

Timecode. O relógio do vídeo, em horas, minutos, segundos e frames, como em 00:01:32:12. Junto do comentário, leva o editor ao frame exato. Veja como ler timecode.

Aprovação. O aval do cliente sobre uma versão. A que mais pesa é a final, que libera a entrega e, muitas vezes, a última parcela.

Entrega

Master. O arquivo do vídeo aprovado em qualidade máxima, de onde saem as outras exportações. É pesado, então em geral vem junto uma versão leve para a web.

Redução. Uma versão mais curta tirada do filme principal, como um 15 segundos de um filme de 60. Escolher o que fica é decisão de edição, então ela costuma ter revisão própria.

Formato. A proporção do quadro: 16:9 para YouTube e site, 9:16 para Reels, TikTok e Shorts, 1:1 ou 4:5 para o feed. Decida antes de gravar, porque o vertical recortado de um quadro horizontal fica só com uma faixa estreita.

Área de segurança. A parte do quadro onde o texto com certeza aparece. A norma SMPTE ST 2046-1 põe a área de título em 90% do quadro, e no vertical das redes os botões do aplicativo cobrem também a parte de baixo e a lateral direita.

Legenda em arquivo e closed caption. Legenda num arquivo separado, que quem assiste liga e desliga. O SRT é o formato mais comum e o VTT é o da web (diferença entre SRT e VTT). O closed caption também identifica quem fala e descreve os sons, enquanto a legenda comum leva só a fala (legenda e closed caption).

Legenda queimada. Texto gravado na imagem, que não dá para desligar. Também se diz legenda aberta ou embutida. É a regra no feed, onde muita gente assiste sem som, e erro de digitação vira exportação nova.

Entregáveis. A lista dos arquivos que o cliente vai receber, com duração, formato, idioma e legenda. Combine antes da diária, porque ela define o preço e o cronograma.

Projeto. O arquivo da timeline no Premiere ou no DaVinci Resolve. Não contém o material gravado e não abre direito sem as mesmas mídias, fontes e plugins. Como o bruto, só entra no pacote de entrega se o contrato disser.

Como esses termos aparecem no RecReview

No RecReview, cada corte que sobe numa tarefa vira a próxima versão numerada, pela ordem de upload, e os comentários ficam na versão em que foram feitos. A equipe pode tocar duas versões da mesma tarefa lado a lado, sincronizadas.

A rodada começa quando a equipe envia a versão, e a tarefa passa a aguardar o cliente. Com as automações padrão, um pedido de alteração devolve a tarefa para a fila da equipe.

Cada comentário fica no momento do vídeo em que foi escrito, sem ninguém digitar timecode, e pode cobrir um trecho marcado com entrada e saída.

O botão Aprovar do cliente é a aprovação final. Registra quem aprovou qual versão e quando, manda o e-mail de entrega com o link de download e, com as automações padrão, leva a tarefa para Entregue. Corte travado e outros avais intermediários ficam num status do quadro da equipe.

Esse download é o arquivo que o editor subiu, não a cópia comprimida do player. As legendas saem em SRT ou VTT a partir da transcrição da versão, e o RecReview não queima legenda na imagem. A página de controle de versões mostra a comparação.

Cada corte vira uma versão numerada na tarefa.

No RecReview, cada corte que você sobe numa tarefa vira a próxima versão, os comentários do cliente ficam na versão em que foram feitos e duas versões da tarefa tocam lado a lado, sincronizadas.

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Versões 2 e 3 do mesmo vídeo lado a lado, sincronizadas, com uma cor diferente em cada

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre primeiro corte e corte fino?

O primeiro corte, ou corte bruto, é a primeira montagem da história, com as falas certas na ordem e a duração aproximada, e é onde o cliente comenta estrutura e mensagem. O corte fino é a mesma edição ajustada depois desses comentários, com ritmo, escolha de planos e transições melhores. Trocar cenas de lugar ainda sai barato no corte fino e fica caro depois do corte travado.

O que é sonora e o que é imagem de apoio?

Sonora é o trecho de fala de um entrevistado que entra no vídeo, o que em inglês se chama A-roll. Imagem de apoio, ou cobertura, é o que aparece por cima dessa fala, como o escritório, o produto ou alguém trabalhando, e em inglês se chama B-roll. Esconde os cortes da entrevista e mostra o que a pessoa diz.

O cliente recebe o material bruto e o projeto da edição?

Só se o contrato disser. O bruto é tudo o que as câmeras gravaram e ocupa muito mais espaço que o vídeo pronto, e o projeto é o arquivo da timeline no programa de edição, que não abre direito sem as mesmas mídias, fontes e plugins. Combine os dois antes de o trabalho começar.

O que conta como uma rodada de alteração?

Um ciclo de comentários do cliente seguido de uma versão nova da produtora. O orçamento costuma prever um número de rodadas e cobrar as extras, então mandar todos os comentários de uma vez, por uma pessoa só, evita que uma rodada vire três.

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